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'Divisor de águas essa eleição é a moral', diz Caiado em sabatina

Candidato propõe anistia e planos para segurança pública e economia

Sputnik Brasil 25/08/2026
'Divisor de águas essa eleição é a moral', diz Caiado em sabatina
Caiado propõe anistia e estratégias para segurança e economia durante sabatina na TV Globo. - Foto: © AP Photo / Eraldo Peres

Ex-governador de Goiás e candidato pelo PSD defende anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, cooperação regional contra o narcotráfico e limite para gastos públicos.

O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, defendeu nesta terça-feira (25), durante sabatina na TV Globo, uma anistia "ampla, geral e irrestrita" para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Entrevistado por Renata Vasconcellos e César Tralli, o ex-governador de Goiás afirmou que encaminharia ao Congresso Nacional um projeto sobre o tema caso seja eleito e justificou a proposta como uma forma de "pacificar o Brasil" e reduzir a polarização política.

Anistia e 8 de Janeiro

Questionado sobre o alcance da medida e se ela incluiria invasores e depredadores das sedes dos Três Poderes, financiadores, incitadores, Jair Bolsonaro e militares e autoridades condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Caiado respondeu que a anistia seria destinada a todos.

Ao ser confrontado com relatos de ex-comandantes das Forças Armadas sobre uma possível tentativa de ruptura institucional e com o depoimento de um general que confirmou a existência de um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato voltou a criticar governos petistas e a falar sobre corrupção.

Caiado comparou sua proposta de anistia com decisões envolvendo o presidente Lula e afirmou que o Brasil não deveria permanecer em um cenário de "revanche eterna". Segundo ele, a medida permitiria encerrar a polarização e concentrar o governo em temas como segurança pública, educação e economia.

As respostas, porém, não detalharam como a anistia afetaria pessoas condenadas por diferentes crimes relacionados à tentativa de golpe.

Segurança pública

Na área de segurança pública, Caiado propôs a criação de uma estrutura integrada de combate ao narcotráfico envolvendo o Brasil e os dez países que fazem fronteira com o território brasileiro. O candidato afirmou que pretende ampliar a cooperação entre os governos sul-americanos para combater drogas, armas e lavagem de dinheiro e classificou o Brasil como a "Disneylândia do narcotráfico". Segundo ele, as organizações criminosas utilizam o país como ponto de distribuição para outros mercados internacionais.

Questionado sobre como convenceria os países a aderirem à proposta e sobre o orçamento e a estrutura da nova polícia, Caiado não apresentou números detalhados. Disse que recursos poderiam ser obtidos a partir do combate ao patrimônio das organizações criminosas e que a estrutura teria uma central de inteligência e uso de tecnologia.

Sobretudo, também afirmou que não autorizaria a entrada de militares americanos no Brasil para operações contra o narcotráfico, mas defendeu parcerias tecnológicas com países europeus.

Caiado disse ainda que as Forças Armadas continuariam sob o comando do presidente da República e afirmou que criaria um Ministério da Segurança Pública para coordenar as demais polícias. Ele comparou a estrutura proposta à Europol, embora tenha defendido uma atuação que inclua prisões e operações conjuntas em diferentes países, mediante acordos entre os governos.

A Europol, contudo, não possui capacidade de conduzir investigações ou prisões, mas possibilita a coordenação com diferentes polícias de outros países.

Economia e ajuste fiscal

Na economia, o candidato afirmou que pretende encaminhar uma emenda constitucional para limitar as despesas do governo federal à correção pela inflação e a um teto de 50% do PIB. Questionado sobre onde faria cortes e quanto economizaria, no entanto, não apresentou medidas específicas.

Caiado citou como possíveis áreas de revisão subsídios, incentivos fiscais, corrupção, salários considerados excessivos e desvios de emendas, afirmando que precisaria primeiro "colocar o paciente na mesa", em referência às contas públicas.

O candidato também disse que não pretende reduzir o salário mínimo nem comprometer os pisos de saúde e educação. Para defender sua capacidade de gestão, citou os resultados de seus dois mandatos como governador de Goiás, especialmente nas áreas de educação, segurança pública e situação fiscal do Estado.

Sobre a Previdência, Caiado reconheceu o impacto do envelhecimento da população brasileira, mas não apresentou uma proposta para alterar idade mínima, regras de aposentadoria ou benefícios. Afirmou que reuniria especialistas para discutir a sustentabilidade do sistema e criticou a ideia de que um único governante possa definir sozinho as mudanças necessárias.

Reforma tributária e crédito

Ao tratar da reforma tributária, Caiado afirmou que pretende “revisitar” o projeto aprovado pelo Congresso, apesar de reconhecer que a discussão levou cerca de 30 anos. Ele criticou a previsão de uma alíquota de 28% do IVA e do imposto seletivo e argumentou que profissionais liberais e pequenos empresários poderiam ser prejudicados pelo novo sistema. Segundo o candidato, pontos da reforma deveriam ser novamente avaliados antes de sua implementação.

Caiado também criticou as medidas do governo Lula para renegociação de dívidas, em específico o programa Desenrola 2.0, e classificou o presidente como um "agiota" ao falar sobre o crédito oferecido aos brasileiros endividados. Questionado sobre sua própria proposta para ampliar o crédito e ajudar pessoas e empresas inadimplentes, não apresentou valores ou detalhes sobre a origem dos recursos. Em vez disso, afirmou que, com uma mudança constitucional e seu governo, os juros poderiam cair para 6% e a inflação para 3%.


Por Sputinik Brasil