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Mercados pressionam EUA enquanto Trump tenta conter queda dos títulos e risco global crescente
Ações do secretário do Tesouro visam estabilizar mercado em crise.
Com a dívida dos EUA em disparada e os mercados de títulos em queda, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ampliou a recompra de papéis de longo prazo para tentar conter a turbulência e evitar um choque global, enquanto Donald Trump busca acalmar investidores diante do risco de alta nos custos de empréstimos.
A disparada da dívida norte-americana transformou o aniversário de 64 anos do secretário do Tesouro, Scott Bessent, em um momento de tensão, segundo a mídia britânica.
Pouco antes da data, ele decidiu se dar um "presente" pouco festivo ao ordenar que sua equipe dobrasse para US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 20,5 bilhões) a recompra de títulos de longo prazo, em uma tentativa urgente de estabilizar um mercado em queda e evitar um abalo financeiro global.
A intervenção buscava conter a turbulência que vinha derrubando os preços dos Títulos do Tesouro, peça central da economia mundial. Para Donald Trump, que frequentemente vincula sua reputação ao desempenho de Wall Street, a deterioração do mercado exigia ação imediata. Ele incumbiu Bessent de acalmar investidores e impedir que a desconfiança se transformasse em pânico.
De acordo com a apuração, a estratégia era direta: se o mercado rejeitava títulos de dez e 30 anos, o próprio Tesouro os compraria, criando demanda artificial para sustentar preços e reduzir rendimentos. Rendimentos menores significariam juros mais baixos para o governo, aliviando a gigantesca conta de endividamento acumulada pela administração Trump.
Bessent esperava que a medida restaurasse a confiança dos chamados "vigilantes dos títulos", mostrando que, mesmo sem controlar o avanço da dívida, o governo tentava manter seus custos sob controle. Mas o efeito inicial foi decepcionante e os rendimentos caíram por pouco tempo e logo voltaram a subir, levando o secretário a prometer novas compras e a revisar o orçamento para reduzir a necessidade de empréstimos.
Trump tentou tranquilizar o público, afirmando que a economia seguia forte "apesar das taxas de juros", e elogiou Bessent por seu "talento natural para títulos". Economistas, porém, alertaram à publicação que um fracasso da estratégia pode desencadear um choque global. Como resumiu Joseph Brusuelas, da consultoria RSM: "Se os EUA pegarem um resfriado, todos vocês vão pegar pneumonia".
O consultor afirma que governos teriam de cortar gastos ou aceitar mais inflação, hipotecas ficariam mais caras, investimentos públicos em infraestrutura, educação e saúde seriam reduzidos, impostos subiriam, empresas enfrentariam custos maiores e empregos seriam eliminados.
Mas a tensão entre governos endividados e investidores não é nova e os vigilantes do mercado estão apertando o cerco com intensidade inédita em décadas.
Por Sputinik Brasil
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