Geral

China recusa colaborar com 'atos imprudentes' dos EUA contra o Irã, diz mídia

Pequim rejeita sanções impostas por Washington diante da crisis no Oriente Médio.

Sputnik Brasil 23/08/2026
China recusa colaborar com 'atos imprudentes' dos EUA contra o Irã, diz mídia
Pequim refuta sanções dos EUA e destaca impactos globais das medidas medidas contra o Irã. - Foto: © AP Photo / Kenny Holston

Pequim se recusará categoricamente a aderir às medidas punitivas impostas por Washington contra a nação persa, após o anúncio da Casa Branca de uma operação massiva de 'guerra econômica', afirma um editorial da mídia asiática.

Em uma análise, o Global Times argumenta que os alertas do Departamento do Tesouro dos EUA — que instou a China a cumprir o bloqueio contra o Irã usando a retórica do 'ou você está conosco ou contra nós' — constituem um sinal de desespero e imposição unilateral por parte de Washington.

De acordo com a publicação, a estratégia militar dos EUA no Oriente Médio chegou a um impasse após meses de conflito, o que forçou o governo norte-americano a recorrer a uma pressão econômica massiva como forma de tentar romper o impasse.

A mídia asiática argumenta que essa implementação de sanções não representa uma mudança estratégica genuína e vitoriosa, mas sim uma tentativa desesperada de conter os custos de um conflito no qual os meios militares se mostraram ineficazes.

Nesse sentido, o jornal também alerta para as graves repercussões globais dessas ações, observando que sanções unilaterais não resolvem os problemas subjacentes e apenas conseguem aumentar os preços da energia, interromper as cadeias de suprimentos e alimentar a inflação global.

'A China não apenas se recusará a compactuar com os 'atos imprudentes' dos Estados Unidos em relação à questão do Irã, como a comunidade internacional também deixará de apoiar Washington', afirma a publicação.

O jornal destaca que os EUA pretendem que o restante da comunidade internacional arque com os custos de uma guerra fracassada que Washington lançou ao lado de Israel, interrompendo a navegação no estreito de Ormuz e desestabilizando os mercados.

A apuração também ressalta o crescente isolamento diplomático da Casa Branca, afirmando que nem mesmo os aliados tradicionais dos EUA na Europa apoiam entusiasticamente essa abordagem radical.

Segundo o jornal chinês, essa retórica divisiva causou profundas fissuras no sistema de alianças de Washington, uma vez que os países europeus temem as graves consequências econômicas e energéticas que esse bloqueio representa para suas próprias populações, em um contexto de estagnação salarial, aumento do custo de vida e contas de luz cada vez mais caras.

Em relação à posição soberana do gigante asiático, a mídia enfatiza que a China se opõe firmemente ao assédio unilateral e à jurisdição extraterritorial que a Casa Branca está tentando impor. Nesse sentido, afirma que aceitar a pressão de Washington criaria um precedente perigoso, no qual o comércio internacional deixaria de ser regido por regras bilaterais e multilaterais e passaria a estar sujeito aos caprichos da política externa dos EUA, marcando um retorno à 'lei da selva'.

O veículo de comunicação chinês conclui que nem Pequim nem o restante da comunidade internacional participarão do que chamou de 'jogos imprudentes' de Washington, reiterando que a única saída digna para os Estados Unidos é abandonar sua mentalidade de Guerra Fria e sua estratégia de pressão máxima.

'Um cessar-fogo imediato e a cessação das hostilidades, a retomada imediata das negociações de paz, o restabelecimento da navegação pelo estreito [de Ormuz] e o respeito pela autoridade da Carta da ONU: essas têm sido as posições consistentes da China desde o início do conflito e constituem a abordagem que serve aos interesses de todas as partes', conclui o editorial.

Por Sputinik Brasil