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'Extremismo destrói': Doria lamenta falta de opção moderada entre presidenciáveis
Ex-governador critica radicalismos em evento no RJ
Em discurso no 25º Fórum Empresarial LIDE, do qual é fundador e copresidente, Doria afirmou que o extremismo não constrói, ele destrói, e que não é possível edificar uma nação baseada em radicalismos.
O ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, João Doria, lamentou nesta sexta-feira (21) a ausência de um candidato moderado na eleição presidencial deste ano.
"Eu, pessoalmente, como cidadão, tendo sido prefeito da cidade de São Paulo e governador, e hoje como cidadão brasileiro e eleitor, gostaria muito que o país tivesse uma opção que não fosse dos extremos, nem da extrema-direita, nem da extrema-esquerda", afirmou.
Ele acrescentou que não é viável construir uma nação para a população baseada em extremismos e radicalismos.
"O radicalismo, seja de direita ou esquerda, não constrói, ele destrói", enfatizou.
A fala de Doria foi proferida durante o 25º Fórum Empresarial LIDE, realizado no Rio de Janeiro, que reuniu autoridades, lideranças do setor empresarial e especialistas.
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), participou do evento por vídeoconferência e destacou os avanços conseguidos pelo Brasil, além dos desafios ainda a serem superados.
Entre os avanços, ele mencionou o crescimento da economia nos últimos anos, com uma taxa de inflação em torno de 4%, "uma das menores da história", e reservas internacionais superiores a US$ 370 bilhões (cerca de R$ 1,9 trilhão). Contudo, Barroso também apontou desafios, como a dívida pública crescente, que alcançou quase 82% do PIB.
"Quase todos os países do mundo enfrentam um problema fiscal, mas no Brasil adiciona-se a questão dos juros de 14%, os mais altos do mundo, prejudicando seriamente o crescimento e o endividamento das famílias", apontou.
Barroso enfatizou que a segurança pública deve ser uma prioridade no país, destacando a confluência do crime organizado com a economia formal e a política.
"Precisamos priorizar isso para evitar um processo de captura das instituições", disse.
O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, que tinha presença confirmada no evento, não compareceu, enviando como representante o secretário de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro, Guilherme Mercês.
Mercês informou que o estado do Rio de Janeiro enfrenta um déficit de R$ 19 bilhões, e a meta do governador interino é entregar o cargo com as contas equilibradas. Ele valorizou a gestão de Couto como "absolutamente técnica".
"Temos implementado várias ações para conter despesas, extintos quase 6 mil cargos comissionados, sem que serviços públicos tenham sido interrompidos de forma grave, tudo sendo administrado com eficácia", sublinhou.
O secretário destacou que auditorias estão sendo realizadas em todos os contratos do governo do estado, além de um grande esforço para aumentar a arrecadação.
"Não se trata apenas da arrecadação de royalties, que não depende do Rio de Janeiro, mas do ICMS. Atualmente, o Rio de Janeiro é o estado onde o ICMS mais cresce no Brasil, com 18% no acumulado do semestre, comparado a 7% da média nacional.", disse.
A economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, que chegou a ser cotada como vice na campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), participou do evento e deu uma entrevista em que criticou a proposta de acabar com a escala 6x1. Segundo ela, a discussão sobre a proposta é "populista e irrelevante na realidade atual das famílias brasileiras".
"É uma ilusão dizer que se está concedendo algo enquanto quem produz não terá condições e enfrentará custos enormes", afirmou.
Marques destacou que "o problema não está na 6x1, mas na falta de liberdade do cidadão para negociar seu contrato com o empregador, sem a interferência do Estado".
"Sou favorável à liberdade, à ampliação dessa liberdade, que deveria contemplar todas as jornadas possíveis, permitindo que trabalhador e empregador decidam como construir seus contratos", concluiu.
O Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, foi indagado por jornalistas no final do evento se teria a intenção de enviar recomendações aos presidenciáveis para garantir a segurança jurídica.
Ele afirmou que, para que haja segurança jurídica e política nas relações entre os Poderes, "cada órgão deve atentar para suas competências".
"Não cabe à Procuradoria-Geral da República propor políticas. O que fazemos é aplicar as decisões tomadas pelos representantes do povo. Não somos representantes do povo, mas sim representantes da Constituição do povo, por decisão popular. As decisões têm de partir dos políticos", respondeu Gonet.
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