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Ibovespa perde força com pressão do exterior e encerra em leve alta

Setor de commodities impulsiona índice, mas fatores externos limitam ganhos.

Estadao Conteudo 20/08/2026
Ibovespa perde força com pressão do exterior e encerra em leve alta
Ibovespa - Foto: Depositphotos

Amparado pela forte alta das ações do setor de commodities, o Ibovespa encerrou o dia levemente positivo (+0,06%), a 167.927,15 pontos, mas distante da máxima vista pela manhã, de 169.752,35 pontos. Apesar dos ganhos da Petrobras e da Vale, a pressão do exterior e do setor financeiro limitou os ganhos do dia, em um período marcado por aversão ao risco com ativos locais.

Lá fora, as bolsas norte-americanas encerraram em baixa, mais uma vez pautadas pelos receios do mercado quanto ao futuro dos conflitos no Oriente Médio. O tema voltou a pesar sobre os ativos depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou punir economicamente o Irã e países que se alinharem ao país persa.

Com os conflitos, o Estreito de Ormuz segue fechado, levando o petróleo a seguir em alta - no ano, o petróleo Brent já acumula avanço de mais de 50%. De um lado, isso contribui para o desempenho financeiro da Petrobras, o que se reflete diretamente nas ações da companhia: o avanço no acumulado de um ano do papel preferencial, mais negociado, já é de 56%. Nesta quinta, o contrato do Brent para outubro subiu 2,36%, para US$ 93,78 o barril.

Em outra ponta, a alta do petróleo gera uma pressão de saída de ativos de risco, pois, do ponto de vista macroeconômico, a commodity mais cara gera preocupações com a disparada de preços de insumos e, consequentemente, com a inflação global. Isso se torna especialmente importante em um ambiente em que o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, já vem adotando um tom mais duro em relação à política monetária conduzida na maior economia do mundo.

"De fato, o mercado acaba precificando esses pequenos ruídos que acontecem o tempo todo. Não há um veredicto em relação aos Estados Unidos e o Irã, então o mercado vem sentindo aos pouquinhos, tendo em vista, especialmente, que o petróleo hoje está subindo mais de 2%", afirma Luan Aral, trader e especialista da Genial Investimentos.

Outro tema importante para uma pressão adicional sobre o índice, notam os especialistas, são as preocupações com a qualidade do crédito no setor bancário. Depois dos resultados do segundo trimestre, os investidores passaram a observar uma piora nas linhas de inadimplência, diante do aumento dos pedidos de recuperação judicial e pressão sobre as empresas, fruto dos juros elevados no Brasil.