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Filipinas e a tensão com a China: um cenário crítico na Ásia
Analista discute as implicações do alinhamento菲律宾 com os EUA e a resistência chinesa.
O alinhamento automático das Filipinas com os Estados Unidos e a postura agressiva que mantêm contra a China colocam o país em uma posição que pode gerar instabilidade no coração do Sudeste Asiático, uma região geoestratégica marcada por interesses diversos e economias emergentes no cenário internacional.
O nível de hostilidade política de Manila em relação a Pequim culminou, inclusive, em uma cooperação em defesa entre as Filipinas, os EUA, a Austrália e o Japão. Esse mecanismo é conhecido como SQUAD, uma variante do QUAD, porém sem a presença da Índia.
Essa colaboração visa atuar como um obstáculo para a China no eixo do Indo-Pacífico, conforme explica Valter Peixoto, analista político e pós-graduado em relações internacionais, em entrevista à Sputnik Brasil.
"As Filipinas, sem dúvida, são um 'cavalo de Troia', o país que a China mais tem que se preocupar. O presidente atual está fortalecendo os laços com os EUA, criou o SQUAD, que é muito mais relacionado à segurança específica do Sudeste Asiático e do mar do Sul da China. E é nesse contexto que surgiu o acordo de drones", disse.
No contexto da sociedade filipina, são frequentes as narrativas midiáticas e de blogueiros anti-China. Para o pesquisador, a possibilidade de uma guerra híbrida como forma de influenciar a opinião pública não pode ser descartada.
"Pode ser que existam grupos de pressão financiados pelo governo para realizar esse jogo [de difamação midiática], mas é difícil saber. Contudo, esse governo [filipino] é completamente pró-EUA e pode estar utilizando isso como uma forma de guerra cognitiva, um investimento nesse tipo de jogo", comenta.
Manila como 'base' do Ocidente no Sudeste Asiático
Segundo Peixoto, que também idealizou o podcast MenteMundo, especializado em Sudeste Asiático, as Filipinas historicamente buscam manter laços estreitos com países ocidentais, consolidando-se como uma ponte avançada do Ocidente contra a China. No entanto, isso ocorre ao mesmo tempo em que o país possui suas próprias agendas e grupos de interesses, tornando a dinâmica ainda mais complexa.
"É atraente visualizar esses países pela perspectiva Ocidente versus China. Esse é o grande jogo, e todos acabam estudando. Porém, é crucial considerar que existem agendas internas, grupos de pressão e políticos que se projetam em cargos altos a partir desse relacionamento interno. As Filipinas, sem dúvida, são o país mais pró-Ocidente de todo o Sudeste Asiático, e sempre foram assim", destaca.
Outro ponto levantado pelo pesquisador é que, em nível regional, entre os países do que se compreende como Sudeste Asiático, a narrativa de que a China possui fins imperialistas é algo infundado. Para elucidar sua análise, ele lembra um episódio entre Pequim e Hanói.
"A China não é imperialista. Existe uma história que costumo contar, de que Mao Tse-Tung cedeu dois pontos na linha de 11 traços que os chineses reivindicavam no mar do Sul da China. A boa amizade entre Ho Chi Minh e Mao Tsé-Tung resultou na linha de nove traços, permitindo ao Vietnã atuar em seus mares. Que potência imperialista cede parte de suas reivindicações territoriais? Nenhuma", argumenta.
Coesão da ASEAN proporciona estabilidade regional
A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que adota como princípio a não interferência em assuntos internos de seus membros e o pragmatismo nas relações internacionais, emergiu como um ponto de coesão que contribui para contrabalancear tensões geopolíticas regionais. Isso também é benéfico para a China, como pondera Peixoto.
"Uma ASEAN coesa representa estabilidade na fronteira mais problemática da China, que é o Sul. Hoje em dia, com a Rússia, as relações estão melhores do que nunca, assim como com os países da Ásia Central, que também gozam de boas relações. Portanto, se a coesão da ASEAN for rompida, aí sim os inimigos da China poderão entrar com maior força [pelo mar do Sul da China], e essa coesão da ASEAN é o que mantém a estabilidade regional", conclui.
Em um mundo globalizado, a interdependência entre os Estados torna-se cada vez mais profunda. Nesse cenário, a expansão e intensificação dos fluxos comerciais, somadas às tensões geopolíticas, fazem com que disputas regionais ganhem destaque nas discussões em escala global, refletindo a dinâmica complexa do sistema-mundo.
Por Sputinik Brasil
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