Geral
Volkswagen reduz previsões de vendas e lucros no 2º trimestre
Lucro operacional cai 9,5% devido a desafios no setor
A Volkswagen reduziu suas projeções de vendas e entregas de veículos para este ano, ressaltando a necessidade de intensificar esforços para enfrentar os desafios do setor. Esses desafios incluem conflitos geopolíticos, exigências regulatórias, volatilidade dos mercados e concorrência acirrada.
A montadora alemã agora espera que as vendas em 2026 variem entre estabilidade e uma queda de 3%, em comparação com a previsão anterior de estabilidade a alta de 3%. Essa revisão decorre de um acentuado recuo nas vendas na China, onde o mercado encolheu 20% no primeiro semestre.
A estimativa para entregas também foi ajustada, prevendo uma queda entre 3% e 7% na comparação anual, em vez da previsão anterior de estabilidade, refletindo a fraqueza do mercado chinês.
A Volkswagen manteve a projeção de margem operacional entre 4% e 5,5% para este ano, superior aos 2,8% registrados em 2025.
Após elaborar um plano extenso de corte de custos durante 2025 e 2026, a montadora se comprometeu a intensificar os esforços, dado que os desafios globais se agravam. Entre eles estão novas tarifas nos EUA, o fim dos subsídios americanos para veículos elétricos, e um aumento nos custos de produção e concorrência dos fabricantes chineses, tanto na China quanto na Europa.
"Precisamos acelerar os esforços para reduzir estruturalmente nossa base de custos e melhorar de forma sustentável a qualidade dos nossos resultados", declarou o diretor financeiro e de operações, Arno Antlitz, nesta sexta-feira. "O que importa agora é uma implementação rápida e consistente."
O plano original previa um acordo com os sindicatos para a redução de 50 mil empregos na Alemanha até 2030, visando economizar bilhões de euros anualmente sem fechar fábricas. Contudo, a companhia alertou que estas ações podem não ser suficientes, sinalizando que poderá haver cortes adicionais para tornar o grupo mais enxuto e eficiente.
Dentre as iniciativas em análise, a Volkswagen planeja reduzir sua linha de modelos pela metade e continuar diminuindo a capacidade de produção. Em um memorando interno divulgado neste mês, o CEO Oliver Blume destacou que a montadora enfrenta uma desvantagem de custos de 20% em relação a concorrentes em áreas como administração e infraestrutura, o que exigiria, em tese, a eliminação de 50 mil funcionários para corrigir a disparidade, sem afetar salários. Blume também não garantiu o futuro das fábricas de Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm, todas na Alemanha.
Executivos da montadora planejam se reunir com líderes sindicais e funcionários em uma série de encontros em unidades alemãs em agosto, após o recesso de verão. A empresa não divulgou mais detalhes em seu comunicado de hoje.
No balanço divulgado, o grupo, que abrange marcas como VW, Audi e Porsche, reportou um aumento de 2% na receita do segundo trimestre, totalizando 82,44 bilhões de euros. No entanto, o lucro operacional caiu 9,5%, totalizando 3,47 bilhões de euros, com margem operacional de 4,2%. Analistas da FactSet projetavam um lucro operacional de 4,02 bilhões de euros em uma receita de 81,16 bilhões de euros.
A Volkswagen também enfrentou um impacto de 1,3 bilhão de euros no lucro operacional do primeiro semestre, devido às tarifas nos EUA. Fonte: Dow Jones Newswires.
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