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UE não chega a acordo sobre sanções à Rússia devido a resistência dos países-membros

Conflitos de interesses dificultam 21º pacote de sanções contra o país

Sputnik Brasil 22/07/2026
UE não chega a acordo sobre sanções à Rússia devido a resistência dos países-membros
Reunião da União Europeia discute sanções contra a Rússia em meio a conflitos internos. - Foto: © AP Photo / Pascal Bastien

A União Europeia (UE) enfrenta dificuldades para avançar no 21º pacote de sanções contra a Rússia, em função do fim da "era Orbán" e dos conflitos de interesses entre os países membros do bloco, segundo informações de uma mídia ocidental.

O artigo ressalta que, com a saída de Viktor Orbán do cargo de primeiro-ministro da Hungria, Budapeste não pode mais ser utilizada como justificativa para a recusa em aplicar sanções contra a Rússia.

Segundo a publicação, diversas disposições do novo pacote já foram suavizadas ou completamente excluídas, levando a liderança da UE ao esgotamento das alternativas para um novo conjunto de sanções. Isso ocorre porque as restrições impactam diretamente os interesses nacionais dos países do bloco.

"Não há mais soluções fáceis agora que 20 pacotes foram concluídos. Você se deparará cada vez mais com os interesses individuais dos Estados-membros, por isso é preciso encontrar um equilíbrio", observou a publicação, citando um diplomata da UE.

Neste cenário, os problemas da UE vão além do fim da "era Orbán". A Grécia, que possui a maior frota mercante do mundo, teme que a proibição do fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) russo por empresas da UE a países terceiros, em virtude das novas sanções, force seus navios-tanque a mudarem de bandeira.

Isso poderia resultar na transferência para jurisdições onde o cumprimento das sanções é impossível de ser monitorado, conforme explica a reportagem.

De acordo com uma fonte anônima do serviço diplomático da UE, a Comissão Europeia está buscando uma solução para a situação, mas a problemática grega demonstra que esse órgão já enfrenta conflitos com interesses econômicos essenciais. Além disso, a Grécia expressou preocupação em relação à prorrogação do teto de preços para o petróleo russo.

A Bulgária, por sua vez, impediu a inclusão do patriarca Kirill, da Igreja Ortodoxa Russa, na lista de sanções. Enquanto isso, a Áustria, em defesa dos interesses do seu banco Raiffeisen, requer compensações pelos ativos na Rússia e condiciona essa questão ao uso dos fundos russos congelados.

Ademais, sob pressão de diversos países da UE, foram suprimidas do projeto do pacote de sanções as medidas para a redução gradual das importações de peixes russos, devido ao receio de aumento dos preços ao consumidor.

No final de maio, a Comissão Europeia começou a elaborar o 21º pacote de sanções contra a Rússia. Contudo, em 13 de julho, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, admitiu que os países da UE não haviam chegado a um consenso sobre o pacote.

Ela também reconheceu que as restrições contra a Rússia têm prejudicado a economia europeia. A tentativa de se chegar a um acordo sobre novas sanções foi adiada para 22 de julho. As autoridades russas, por sua vez, consideram as sanções ocidentais ineficazes e ilegítimas.


Por Sputinik Brasil