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Brasil estuda adotar 'reciprocidade' como resposta a tarifas dos EUA, diz Alckmin, mas nega retaliação
Vice-presidente ressaltou a negociação como prioridade.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta terça-feira (21) que a negociação com os Estados Unidos para resolver o problema da taxação de 25% sobre produtos brasileiros será sempre a primeira opção.
Ele falou com a imprensa após a primeira rodada de reuniões com os setores produtivos mais impactados pela decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciada na semana passada e que entram em vigor nesta quarta-feira (22).
Sobre a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, o vice-presidente afirmou que o governo estuda todas as possibilidades e deve adotar as medidas no "momento adequado".
"A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos", declarou. "Então, a reciprocidade é, olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso. Nós temos instrumentos para fazê-los. No momento oportuno, da forma adequada."
A prioridade do governo, afirmou ele, é ajudar os setores que serão mais prejudicados com as tarifas.
"Assimilar essa decisão do governo norte-americano, que não deixa de ser injusta, indevida, descabida, mas o fato de ser injusta, descabida, indevida, não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para, primeiro, socorrer quem precisa do governo brasileiro."
Segundo o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu diálogo com os setores representados, confirmando e colhendo dados, além de sugestões de modos como podem ser atendidos pelo governo.
Também participaram da reunião os ministros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Dario Durigan, da Fazenda. Rosa adiantou que o anúncio de sobretaxa de 12,5% a vários países, incluindo o Brasil, deve ser anunciado na sexta-feira (24), o que pode acarretar taxação total de 37,5%, se for cumulativa.
"Estamos na expectativa de saber se serão cumulativos com os 25% ou não. Nós conseguimos, quando saiu a decisão dos 25%, excluir a outra sessão e não houve a acumulação."
O vice-presidente ressaltou que o governo está com uma política permanente de buscar novos mercados para alguns dos setores.
"Quando você fala numa tarifa de mais de 25%, você acaba reduzindo a competitividade da indústria nacional, acaba perdendo o mercado norte-americano e é substituído por outros. Por isso é que nós temos que correr."
O ministro do desenvolvimento também enfatizou que o esforço extra do governo é de diversificar mercados e que está indo à Índia com esse propósito:
"Nós tivemos duas mil empresas apoiadas pela Apex no último ano, 74% já acessam outros mercados. Não significa que tenham substituído, mas já estão acessando outros mercados [...] estou indo em uma missão para a Índia, vamos dialogar com outros parceiros para tentar levar a BIMAC, por exemplo, saúde a essa iniciativa. O setor de máquinas pode exportar também para a Índia, por exemplo. Precisamos buscar novos parceiros para esses setores atingidos, sobretudo", concluiu Rosa.
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