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Ministro comenta sobre nova tarifa dos EUA

Expectativa de confirmação nesta sexta-feira

Estadao Conteudo 21/07/2026
Ministro comenta sobre nova tarifa dos EUA
Márcio Elias Rosa - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que o governo brasileiro aguarda uma definição do governo dos Estados Unidos a respeito da nova tarifa de 12,5% e se ela será cumulativa à de 25% já anunciada sobre produtos brasileiros.

"Os 12,5% provavelmente serão anunciados na sexta-feira. Estamos na expectativa de saber se serão cumulativos com os 25% ou não", afirmou ele a jornalistas. O ministro relembrou que, quando foi anunciada a tarifa de 25%, não houve acumulação. "Só saberemos na sexta-feira. A partir daí, um novo cenário será revelado", completou.

A tarifa de 25% foi confirmada na semana passada pela gestão Donald Trump, após sugestão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que conduziu uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, permitindo que os EUA retaliem práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas. O foco da investigação incluiu questões como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix.

Por sua vez, a sobretaxa adicional de 12,5%, que ainda não foi confirmada, será aplicada a países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. O cenário mais provável é a confirmação dessa medida.

Sobre as discussões envolvendo o etanol e linhas preferenciais entre Brasil, Índia e México, o ministro ressaltou que esses temas não são mais debatidos com os americanos. "Eram dois temas da Seção 301. Nossos argumentos, infelizmente, não foram aceitos, e eles utilizaram de forma errada e injusta para tomar a decisão", declarou. "Portanto, não estamos mais falando sobre linhas preferenciais com o México, com a Índia, nem de etanol, açúcar ou outros temas da 301, porque eles já decidiram este assunto. Ponto final nesse capítulo." O ministro ainda revelou que realizará uma missão à Índia nas próximas semanas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também defendeu as linhas preferenciais. "Temos acordos de preferência tarifária, assim como os Estados Unidos têm. Aliás, os deles são até mais vantajosos", argumentou. "O Brasil se posiciona a favor do multilateralismo e do livre mercado, respeitando as regras da OMC, a Organização Mundial do Comércio. Quando fazemos isso, ganham todos, especialmente a sociedade", acrescentou Alckmin.

Assim como Alckmin, o titular do MDIC enfatizou a importância de buscar novos parceiros para os setores afetados pelas tarifas americanas. "Agora, aguardamos a sexta-feira, que será um momento decisivo, e, posteriormente, o dia 29, quando os 25% entrarão em vigor para os bens em trânsito. Assim, teremos um novo cenário para decisões", afirmou.

"Seja hoje, seja no dia 29, ou no dia 1º de agosto, a medida tomada pelos Estados Unidos é indevida, injusta e descabida. O governo brasileiro precisa observar seus setores e tomar as medidas que minimizem os danos e, ao mesmo tempo, mostrem que há um futuro melhor. A negociação é viável, será retomada, mas precisamos trabalhar para diversificar nossos mercados", acrescentou.

Sobre a proposta da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para não exigir a manutenção de empregos nas empresas beneficiadas pelo governo, Márcio Elias destacou que está em diálogo com os setores. "Ao falarmos em garantia de emprego, referimo-nos à manutenção nominal, não pessoal ou individual. Essa foi uma proposta trazida pelo presidente da Abimaq e ainda não decidimos nada. Recebemos a proposta e estamos avaliando junto com outras sugestões, incluindo o drawback, o Reintegra e outras iniciativas que estão sendo elaboradas e apresentadas".