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Vazamento de gás tóxico em Manaus leva 512 pessoas a hospitais; uma está internada

Acidente ocorreu em empresa do Polo Industrial e gerou ações de fiscalização e monitoramento.

Estadao Conteudo 21/07/2026
Vazamento de gás tóxico em Manaus leva 512 pessoas a hospitais; uma está internada
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Durante três dias, os bombeiros do Amazonas combateram o vazamento de gás estirado em uma empresa no Polo Industrial de Manaus, que teve início na última quarta-feira, 16, informou o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). Ao todo, 512 pessoas foram atendidas com suspeita de exposição ao gás, enquanto uma segue internada.

Em nota, a Videolar-Innova , empresa responsável pelos tanques, manifestou seus profundos agradecimentos à ação crítica das autoridades componentes do Comitê de Emergência e à mobilização das autoridades municipais envolvidas. Também expressou suas desculpas à população de Manaus e assumiu publicamente o compromisso de investigar o fundo das causas e aplicar as soluções cabíveis para que eventos como esse não voltem a ocorrer.

A empresa citou a fala do Diretor-Presidente do Ipaam, Gustavo Picanço , informando que não foram constatadas fissuras no tanque. Também é importante destacar a declaração do secretário de Saúde do Estado do Amazonas, Luís Alberto Saraiva , que afirmou que as medidas de segurança e monitoramento serão eficientes em eliminar o risco para a saúde pública.

O estireno é usado na fabricação de plásticos e poliestireno. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleilso Muniz , reforçou na segunda-feira, 20, que o vazamento de gás foi contido e detalhou como se daria a continuidade dos trabalhos a partir de agora.

“Nesse momento, não encontramos qualquer dispersão do gás estireno tanto no entorno, como dentro da área que foi isolada. Estamos com emissão zero a partir do tanque que foi sinistrado”, disse Muniz. "O Corpo de Bombeiros continuará dentro da empresa, mantendo o resfriamento do tanque afetado. Esse é um trabalho que poderá durar meses para desinstalação, retirada de todo material com segurança e, a partir daí, ser dada a destinação adequada para o produto daquele tanque", explicou.

Um dia após o início do vazamento, na sexta-feira, 17, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) autuou a Innova em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental, informou a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM).

A deliberação foi aplicada com fundamento na Lei Federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), que estabelece sanções penais e administrativas para condutas e atividades lesivas ao meio ambiente; no Decreto Federal nº 6.514/2008 , que regulamenta as infrações e avaliações administrativas ambientais; e no Decreto Estadual nº 51.355/2025 , que disciplina os procedimentos de fiscalização e a aplicação de consequências ambientais no Estado do Amazonas.

Mesmo após o vazamento, o Ipaam deve monitorar os trabalhos realizados na fábrica onde ocorreu o acidente, disse a SSP.

Entre as ações previstas pela massa, estão o acompanhamento da qualidade do ar, em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM); uma análise dos efluentes gerados; a fiscalização da destinação ambientalmente adequada dos resíduos remanescentes do tanque; e a verificação do cumprimento das condicionantes da Licença de Operação (LO) da empresa, vigentes até outubro de 2026.

Além disso, a SSP esclarece que o Ipaam poderá adotar novas medidas administrativas previstas na legislação ambiental, caso outras irregularidades sejam constatadas.

O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) iniciou as investigações sobre o vazamento de gás estireno na segunda-feira. Por enquanto, os peritos realizam uma avaliação preliminar para levantar informações sobre o ocorrido e fazer um registro da área com drones.

O DPTC afirmou que o laudo não tem prazo para concluir em razão do volume de informações, que ainda serão levantadas e provas em conjunto com os vestígios encontrados no local.

Em reunião no último domingo, 19, o comitê composto por órgãos estaduais da Segurança Pública, Defesa Civil, Saúde, Meio Ambiente e Educação, além da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), decidiu liberar, a partir de segunda-feira, as atividades das empresas do Polo Industrial, unidades de ensino da rede estadual e serviços públicos, que foram suspensas desde o dia do acidente, informou a SSP.

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) também investiga o acidente, por meio de um Inquérito Policial (IP) instaurado, a ser prorrogado pelo 2º Distrito Integrado de Polícia (DIP), para apurar todas as situações relacionadas ao fato.