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Cenipa conclui investigação sobre acidente da Voepass e marca data para divulgação do relatório

Coletiva em Brasília detalhará conclusões sobre tragédia que deixou 62 mortos em agosto de 2024.

Estadao Conteudo 20/07/2026
Cenipa conclui investigação sobre acidente da Voepass e marca data para divulgação do relatório
Cenipa conclui investigação sobre acidente da Voepass e marca data para divulgação do relatório

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta segunda-feira, 20, que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu a investigação sobre o acidente aéreo da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024. As conclusões do relatório final serão apresentadas em coletiva de imprensa marcada para quinta-feira, 23, às 17h, em Brasília.

Segundo a FAB, o chefe do Cenipa, brigadeiro do ar Alexandre Avellar Leal, e os investigadores responsáveis prestarão esclarecimentos sobre a apuração. O relatório do Cenipa não serve para definir as responsabilidades das pessoas envolvidas no voo. Há, em paralelo, um inquérito da Polícia Federal em fase de conclusão.

Um relatório parcial do Cenipa, revelado pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo Estadão, no início deste mês, apontou que a queda do avião foi causada por um conjunto de falhas de pilotos, da empresa e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

De acordo com a versão preliminar, a empresa ignorou falhas de segurança e apresentava um contexto organizacional deficiente, que tolerava desvios e desprezava alertas, como em relação a problemas no sistema de degelo da aeronave, que já haviam sido detectados em viagens anteriores.

O documento parcial também relata que houve "distração" dos pilotos durante o voo, que partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos, em São Paulo, no dia 9 de agosto de 2024. A conduta, marcada por conversas informais durante procedimentos críticos, teria oferecido elevado risco ao voo.

Em relação à Anac, o relatório indica que a agência não foi capaz de tomar decisões que mitigariam os riscos, apesar de fiscalizações terem apontado a ausência de padrões técnicos na manutenção das aeronaves da companhia.

Procuradas, a Anac e a Voepass não se manifestaram ao Estadão. Em resposta à Folha, a companhia afirmou que não comentaria os apontamentos e que segue colaborando com as autoridades de forma transparente e diligente. A Anac afirmou que não teve acesso ao documento e que só se posicionará quando houver um relatório final oficialmente enviado à agência.

Relembre como foi o acidente

No início da tarde de 9 de agosto de 2024, o avião ATR-72-500 da Voepass caiu em Vinhedo, resultando na morte de 62 pessoas. Os quatro tripulantes e os 58 passageiros faleceram após o impacto do avião bimotor contra o quintal de uma casa em um condomínio. Alguns corpos ficaram carbonizados.

A aeronave despencou 13 mil pés (4.000 metros) em apenas dois minutos. Na ocasião do sinistro, o registro de voo do Flight Radar mostrou que o avião estava a 17 mil pés de altitude às 13h20 e a 4.000 pés (1,22 km) às 13h22, quando o sinal de GPS foi perdido pela plataforma. O avião caiu cerca de 20 minutos antes de pousar e atingiu residências do condomínio.

O piloto do avião, Danilo Santos Romano, relatou uma falha no sistema de degelo da aeronave. Essa informação foi divulgada em relatório preliminar apresentado pelo Cenipa, no dia 6 de setembro daquele ano.

Foram registrados também alertas de Cruise Speed Low (baixa velocidade de cruzeiro) e, posteriormente, Degraded Performance (performance degradada) – quando o avião enfrenta condições que reduzem sua capacidade de voo, uma vez que o acúmulo de gelo prejudica a sustentação da aeronave.