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Polícia Civil aponta esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado à família de suspeito de estupro em Alagoas
Apuração iniciada para localizar Victor Bruno da Silva Santos revelou movimentação superior a R$ 300 milhões, segundo a Dracco; polícia investiga uso da estrutura financeira para manter o foragido escondido
As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Alagoas para localizar Victor Bruno da Silva Santos, conhecido como "Vitinho", acabaram revelando um suposto esquema de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e organização criminosa que, de acordo com a corporação, movimentou mais de R$ 300 milhões nos últimos quatro anos. A suspeita é de que parte desses recursos tenha sido utilizada para financiar a fuga do investigado enquanto ele permanecia foragido da Justiça.
Os detalhes da apuração foram apresentados na noite desta sexta-feira (10), durante entrevista coletiva concedida pelo delegado José Carlos, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), logo após a prisão de Victor Bruno. O jovem é investigado por dopar, estuprar, agredir e tentar matar Maria Daniela Ferreira Alves, de 19 anos, no município de Coité do Nóia.
Segundo o delegado, as investigações começaram com o trabalho da Delegacia de Capturas (Deic), responsável pelas diligências para localizar o suspeito. As dificuldades para encontrá-lo levaram a Polícia Civil a instaurar um novo inquérito para identificar a origem dos recursos que poderiam estar garantindo sua permanência em local desconhecido.
Com autorização da Justiça, os investigadores analisaram movimentações financeiras dos suspeitos e identificaram operações consideradas incompatíveis com as atividades econômicas oficialmente declaradas. Conforme a polícia, apenas o pai de Victor Bruno teria movimentado cerca de R$ 150 milhões no período de quatro anos. Já o grupo investigado, composto por aproximadamente seis pessoas físicas e jurídicas, teria realizado transações superiores a R$ 300 milhões no mesmo intervalo.
As investigações apontam que o grupo utilizava contas bancárias de terceiros, apontados como "laranjas", para movimentar recursos de empresas. A Polícia Civil também identificou indícios de irregularidades tributárias envolvendo duas empresas ligadas aos investigados, que recolhiam impostos considerados incompatíveis com o elevado volume financeiro movimentado.
Além das acusações relacionadas ao crime sexual, Victor Bruno passou a ser investigado por suposta participação em crimes de lavagem de dinheiro, fraude e sonegação fiscal. Para os investigadores, há elementos que indicam que a estrutura financeira investigada teria servido para oferecer suporte logístico e financeiro ao suspeito durante o período em que esteve foragido.
Durante a operação realizada nesta sexta-feira, equipes da Polícia Civil cumpriram mandados judiciais em sete imóveis ligados aos investigados. Foram apreendidos documentos, aparelhos celulares, computadores, dois veículos e aproximadamente R$ 90 mil em espécie. A Justiça também determinou o bloqueio de valores vinculados aos investigados, como forma de interromper a movimentação financeira sob suspeita.
De acordo com o delegado José Carlos, a operação busca desarticular o suposto esquema criminoso e impedir que novos recursos sejam utilizados para a prática de delitos ou para auxiliar integrantes da organização.
Relembre o caso
Victor Bruno da Silva Santos é investigado por dopar, estuprar, agredir e tentar matar Maria Daniela Ferreira Alves, de 19 anos, após uma confraternização escolar realizada em uma chácara pertencente à família dele, na zona rural de Coité do Nóia, em 6 de dezembro de 2024.
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a jovem teria sido atraída ao local pelo investigado, dopada com medicamentos de efeito sedativo e submetida à violência sexual e agressões físicas. A vítima também teria sofrido asfixia, provocando graves lesões neurológicas.
Laudos toxicológicos identificaram a presença de medicamentos de uso controlado frequentemente associados à sedação de vítimas em crimes sexuais. Já os exames médicos apontam que Maria Daniela sofreu traumatismo craniano, permaneceu cinco dias em coma e ficou com sequelas neurológicas e motoras permanentes. Ela também foi diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático, síndrome do pânico, ansiedade e depressão, permanecendo sob acompanhamento médico especializado.
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