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Inflação comportada reduz taxas de juros e reforça aposta de queda da Selic em agosto

Expectativas de corte na taxa Selic aumentam após dados do IPCA abaixo do esperado.

Estadao Conteudo 10/07/2026
Inflação comportada reduz taxas de juros e reforça aposta de queda da Selic em agosto
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

Após dados mais fracos de atividade e uma surpresa benigna com a prévia do IPCA na segunda metade de junho, o índice oficial, divulgado nesta sexta-feira, 10, pelo IBGE, deu uma injeção de ânimo maior no mercado de juros futuros. As taxas terminaram a sessão com perdas de cerca de 20 pontos-base nos trechos intermediários e longos, impulsionadas também pela queda do petróleo e pela estabilidade do dólar.

A alta de 0,16% do IPCA de junho, aquém de todas as projeções do mercado, reforçou as perspectivas de que a Selic será reduzida em 0,25 ponto porcentual na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). No mercado de opções digitais, essa probabilidade alcançou 84% nesta sexta, ante números que rondaram 70% ao longo da semana. Contudo, para além do curto prazo, agentes continuam enxergando desafios para um ciclo mais expressivo de afrouxamento monetário no Brasil.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2027 recuou de 13,998% no ajuste anterior para 13,9%. O DI de janeiro de 2029 exibiu uma firme baixa a 13,98%, caindo de 14,232%. Já o DI de janeiro de 2031 terminou negociado a 14,165%, vindo de 14,394% no ajuste.

No cômputo da semana, a curva a termo teve deslocamento para baixo. O DI de janeiro de 2027 caiu cerca de 10 pontos-base em relação ao fechamento da última sexta-feira, enquanto as taxas de janeiro de 2029 e janeiro de 2031 recuaram ao redor de 20 pontos-base.

A maior contribuição para a desaceleração do IPCA veio do grupo alimentação e bebidas, que registrou deflação de 0,24% na medição atual, em contraste com um salto de 1,33% em maio. O mercado também avaliou de forma bastante positiva a descompressão dos núcleos de inflação, da difusão e dos preços de serviços, que são balizadores mais significativos da política monetária.

Na média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada, calculada pela XP Investimentos, a variação dos serviços subjacentes desacelerou de 5,57% em maio para 4,80% em junho. Esse grupo exclui componentes voláteis e tarifas administradas para refletir a tendência real da inflação estrutural. A média dos núcleos inflacionários também passou de 5,29% para 4,91% na mesma comparação. De maneira relevante, o porcentual de componentes do IPCA com aumento de preços no mês caiu para 54% em junho, em comparação a 65% em maio.

O Diretor de Investimentos (CIO) da Azimut Brasil Wealth Management, Marco Mecchi, lembra que o dado divulgado nesta sexta-feira, além de apresentar uma dinâmica muito positiva, veio em sequência ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio, que também surpreendeu para baixo. Da mesma forma, o IPCA-15 de junho, de 0,41%, foi superestimado pelos analistas.

"Com isso, o mercado de juros ficou com dificuldade de subir", observa Mecchi, ressaltando que, mesmo com a retomada do conflito nesta semana, as taxas não saltaram com a mesma velocidade que se viu anteriormente.

Para o CIO da Azimut, como o Banco Central deixou a porta aberta para um novo ajuste para baixo da Selic em agosto, é natural que o mercado comece a precificar uma maior chance de corte no próximo mês. Contudo, olhando em perspectiva, a trajetória da taxa básica está envolta em incertezas. "O El Niño será mais um choque de oferta. Em relação à área fiscal, a dívida em relação ao PIB está crescendo e ainda temos eleições no Brasil, o que impacta a curva longa", enumera. Ele avalia que as decisões do Copom serão tomadas "passo a passo".

Nessa mesma linha, Gustavo Danilo Guimarães, especialista de renda fixa da Manchester Investimentos, menciona que o resultado do IPCA trouxe um alívio significativo para os DIs, mas ainda não representa um sinal de cortes expressivos nas próximas reuniões do Copom. "Ele indica que temos um ambiente favorável para um corte em agosto, mas é preciso cautela para os passos seguintes".