Geral
Ibovespa alcança maior valor desde 14 de maio com expectativa de Selic menor após IPCA
Seleção de ações e cenário econômico impulsionam o índice
Na máxima do dia, o avanço de 2,97% do Ibovespa nesta sexta-feira, 10, conduziu o índice para o maior valor de fechamento, aos 177.866,37 pontos, desde 14 de maio e para a terceira semana consecutiva em alta (+2,18%). O IPCA de junho, abaixo do esperado, fortaleceu ainda mais a tese de que o Banco Central continuará cortando a taxa Selic, o que ajuda o lucro futuro das empresas e torna a renda variável mais competitiva. Das 79 ações, apenas Prio (-0,29%) cedeu.
Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã acabou, a queda dos futuros de petróleo nesta sexta indica que o mercado entende a escalada do conflito como temporária. O Estreito de Ormuz permanece aberto, mesmo com menos embarcações, e há notícias de que Washington e Teerã teriam concordado em voltar à mesa de negociações.
O Ibovespa fechou na máxima do dia, com alta superior às Bolsas de Nova York e um giro financeiro de R$ 24,99 bilhões. No mês, sobe 3,40% e, no ano, 10,39%.
"A única notícia que justifica o ganho expressivo do Ibovespa é o IPCA mais fraco. Com a inflação se aproximando da meta, abre um precedente para o Copom continuar cortando juros em agosto", afirmou o estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass.
O IPCA subiu 0,16% em junho na margem, abaixo do piso de 0,26%% das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast. No acumulado em 12 meses até junho, o índice subiu 4,64%% - também aquém do piso, de 4,75%%.
O estrategista da Empiricus Research, Matheus Spiess, observa que, apesar do orçamento de cortes da Selic ter diminuído em relação às expectativas iniciais do ano, antes do conflito no Oriente Médio, ainda há espaço para que ele se amplie em comparação com o que era precificado durante o auge da crise no fluxo do Estreito de Ormuz.
Juros menores são positivos para as ações por dois motivos: reduzem a expectativa de alavancagem das empresas e impulsionam o valuation - que considera o fluxo de lucro futuro, trazendo ao valor presente por juros - das companhias, salienta o advisor senior da Blue3 Investimentos, Rafael Stephano.
Após o IPCA de junho, abaixo do esperado e impulsionado pela deflação de alimentos, o economista global da Oxford Economics, Felipe Camargo, reiterou a expectativa de que a taxa Selic caia para 13,50%% ao ano em 2026. Esse cálculo considera também o alívio nos preços do petróleo.
Nesta sexta, o contrato do Brent para setembro caiu 0,38%%, a US$ 76,01 o barril, apesar de ter subido 5,39%% na semana. Para Gass, da GT Capital, o mercado foca no fato de que "aos trancos e barrancos, o Estreito de Ormuz continua aberto".
Spiess, da Empiricus, observa que o caminho para a normalização do tráfego em Ormuz não será linear, sendo provavelmente errático. "Vamos viver episódios de muita volatilidade, como ocorreu nesta semana", avaliou, ressaltando que a alta semanal do Ibovespa foi conquistada após correção em três dos cinco pregões, em decorrência dos ataques entre EUA e Irã e do fluxo para a tese de IA.
Na segunda-feira, será divulgada o boletim Focus, às 8h25, e a balança comercial semanal, às 15h.
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