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Recém-nascida morre com suspeita de chikungunya intrauterina; município já registra três óbitos recentes

Redação 09/07/2026
Recém-nascida morre com suspeita de chikungunya intrauterina; município já registra três óbitos recentes
Recém-nascida morre com suspeita de chikungunya intrauterina - Foto: Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

Uma tragédia comoveu os moradores do interior de Alagoas nesta semana. Uma recém-nascida de apenas 18 dias faleceu na última quarta-feira (08), vítima de falência múltipla de órgãos. A principal suspeita da Secretaria Municipal de Saúde é de que a bebê tenha contraído o vírus da chikungunya ainda no útero, após a mãe ter sido diagnosticada com a doença durante a gestação.

O parto ocorreu em um hospital da rede privada do município, e o sepultamento da criança foi realizado nesta quinta-feira (09).

Em um relato comovente, o pai da menina descreveu os poucos dias de vida da filha como uma batalha dolorosa.

"Uma coisa devastadora. A mãe foi diagnosticada e, possivelmente, houve a transmissão. Está sendo visto como um caso agressivo", desabafou, completando que os 18 dias foram de "uma luta vencida pela falta de solução".

Além do comprometimento dos órgãos, o pai relatou que a pele da recém-nascida ficou em "carne viva" devido a graves complicações da enfermidade. Exames laboratoriais ainda devem confirmar oficialmente se a infecção pelo vírus de fato causou o óbito.

O perigo da transmissão perinatal

A comunidade médica alerta que a transmissão da chikungunya de mãe para filho (chamada de transmissão perinatal) é um risco real, ocorrendo principalmente quando a gestante é infectada na reta final da gravidez, perto do momento do parto.

Risco de contágio: Pode chegar a 50% se a mãe estiver com o vírus perto do parto.

Gravidade: Cerca de 90% dos recém-nascidos infectados acabam desenvolvendo as formas mais graves e agressivas da doença.

Município vive surto e registra mortes na mesma família

A morte da recém-nascida acende um alerta vermelho em São Miguel dos Campos, que já contabiliza outras duas mortes decorrentes da doença em um curto intervalo de tempo. Em um período de apenas 34 dias, mãe e filha perderam a vida por complicações da chikungunya.

Rubenita Lins dos Santos, de 60 anos, faleceu no dia 30 de maio. Pouco tempo depois, sua filha, Crisleine Lins dos Santos, foi internada em estado gravíssimo e veio a óbito no último sábado (04). Segundo o relatório do Hospital Helvio Auto, Crisleine apresentou um quadro de extrema gravidade, desenvolvendo infecção bacteriana, pressão arterial severamente baixa e falência múltipla de órgãos.

As autoridades de saúde locais reforçam a necessidade de intensificar o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, e pedem atenção redobrada das gestantes aos sintomas de febre e dores articulares.