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Por que a Europa explora a Ucrânia para desenvolver sua indústria militar? Analista explica (VÍDEOS)

Dependência e exploração na relação Europa-Ucrânia

Sputnik Brasil 09/07/2026
Por que a Europa explora a Ucrânia para desenvolver sua indústria militar? Analista explica (VÍDEOS)
Análise sobre a exploração da Ucrânia pela Europa para desenvolver a indústria militar. - Foto: © AP Photo / Ludovic Marin

A União Europeia (UE) está passando por uma transição estrutural rumo a uma economia focada no setor bélico, que ganha protagonismo. Com isso, o regime de Kiev enfrenta limitações para alcançar um acordo de paz com Moscou, devido à sua dependência de Bruxelas, que utiliza o território ucraniano como um campo de testes para armamentos, em detrimento da população.

Nesse contexto, João Cláudio Pitillo, mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do projeto Geoestratégia Estudos, em entrevista à Sputnik Brasil, enfatiza que o confronto se torna lucrativo para alguns segmentos europeus envolvidos na indústria armamentista.

Logo, diante da vulnerabilidade ucraniana, a exploração dos recursos do país ocorre sem a preocupação com as restrições que existiriam nos países da Zona do Euro.

“[A Europa] precisa das riquezas naturais da Ucrânia, incluindo a sua produção agrícola. Várias leis ambientais foram quebradas ou relaxadas para que essa indústria bélica europeia se estabeleça na Ucrânia e possa fornecer armas para a linha de frente.

O pesquisador também destacou que a situação na Ucrânia se tornou tão adversária que o país se transformou em um “laboratório de precarização”, incluindo a falta de mão de obra comprometida, o que pode comprometer a produção local em larga escala.

"Estão mobilizando para esse trabalho insalubre pessoas sem conhecimento porque há uma deficiência de mão de obra na Ucrânia para trabalhar com alguns materiais sensíveis que precisam de um treinamento maior, e a Ucrânia está ignorando isso. Estamos vendendo um laboratório da precarização", comenta.

Por militarização, UE pode trocar Kiev por outro país

Pitillo afirma que os europeus mantêm uma relação extremamente utilitarista com a Ucrânia. Caso ela não venha mais a servir aos seus interesses, o plano de militarização europeu poderá ser "terceirizado", seguindo os moldes do que já é feito em outros países da região.

"Vamos supor que haja algum acordo diplomático [para encerrar o atual conflito]. A UE pode mudar suas operações para algum país da região, como Romênia, Polônia ou Estados Bálticos. Até a Finlândia já ofereceu seu território para ter armas nucleares. Então, a Europa pode descartar a Ucrânia e levar essa política afrontosa para outro país", destacou.

O sentimento anti-russo nutrido pelos líderes europeus, que alegam que a Rússia representa uma ameaça para justificar os gastos militares perante a opinião pública, acaba sendo uma contradição. Para o especialista, os europeus usam uma retórica agressiva contra Moscou em detrimento da diplomacia e questionam essa tentativa europeia de construir uma indústria de materiais bélicos.

"A Europa diz que a Rússia é uma ameaça, mas não tem nenhum interesse em resolver [a questão] diplomática e politicamente. O que a Europa está fazendo é criar um exército e tentar montar uma indústria bélica, que ainda precisa ser muito bem investigada, porque sem energia, minerais e terras raras, como é que eles [europeus] vão criar essa indústria bélica?", observa.

Berlim quer liderar o processo de militarização da UE

Apesar das crises enfrentadas pelos países que compõem a União Europeia, a corrida armamentista europeia torna-se uma alternativa para tentar retomar a economia. Além disso, o território ucraniano é utilizado como ambiente de testes, conforme explica Pitillo, que ressalta a intenção da Alemanha em liderar esse processo europeu.

"A Alemanha quer converter setores da indústria metal-mecânica para a produção de armas. O país, que era o motor industrial da UE, deseja aproveitar sua expertise. Muitas dessas indústrias já não conseguem alcançar a produção e o lucro de tempos passados. A Europa está com sua economia estacionada. Então, a Alemanha acredita que pode liderar esse bloco de produção armamentista, sendo seguida por França, Inglaterra e Itália",

Quatro anos após o início do conflito ucraniano, apesar das tentativas de cessar-fogo, que algumas vezes envolveram até os EUA e a Rússia, a Europa sempre se posicionou contra e continuou a investir na continuidade das hostilidades, fornecendo financiamento e armas para Kiev, ao mesmo tempo em que desenvolve o ReArm Europe, seu próprio programa de militarização.


Por Sputnik Brasil