Geral
Diferença salarial entre gêneros é menor em entidades sem fins lucrativos
Levantamento do IBGE mostra que mulheres recebem 95,3% da remuneração dos homens nessas entidades; em empresas, proporção cai para 78,1%
A disparidade salarial entre homens e mulheres é menor em entidades sem fins lucrativos do que em empresas e na administração pública, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em um universo de 10,6 milhões de empresas e organizações existentes no país em 2024, o salário médio mensal pago era de R$ 3,9 mil, em valores da época, o equivalente a 2,8 salários mínimos daquele ano.
No recorte por sexo, o estudo mostra que os homens recebiam, em média, R$ 4,2 mil, enquanto as mulheres ganhavam R$ 3,9 mil. Isso significa que a remuneração masculina era 16,6% maior, ou que as mulheres recebiam 85,8% do salário dos homens.
Os dados fazem parte do Cadastro Central de Empresas (Cempre), que reúne informações de empresas ativas, da administração pública e de entidades sem fins lucrativos.
Notícias relacionadas: STF valida lei que garantiu igualdade salarial entre homens e mulheres; Lei da igualdade salarial tem boa adesão das empresas, diz ministro.
Natureza jurídica
Ao separar os registros do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) por natureza jurídica, os pesquisadores do IBGE verificaram que, nas entidades sem fins lucrativos, o salário das mulheres era proporcionalmente maior, correspondendo a 95,3% da remuneração dos homens.
Salários em entidades sem fins lucrativos: mulheres recebiam R$ 3.589,82, enquanto homens recebiam R$ 3.768,81.
O IBGE explica que entram nessa categoria entidades não lucrativas, como organizações sociais, fundações privadas, sindicatos, condomínios, organizações religiosas, entre outras.
Nas empresas, a disparidade é maior: as mulheres recebiam o equivalente a 78,1% do salário dos homens.
Salários em empresas: mulheres recebiam R$ 2.996,79, enquanto homens recebiam R$ 3.838,67.
Na administração pública, que inclui as três esferas de governo e os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, as mulheres ganhavam 82% da remuneração dos homens.
Salários na administração pública: mulheres recebiam R$ 4.967,51, enquanto homens recebiam R$ 6.058,19.
Ao comentar a maior aproximação entre os salários de mulheres e homens em entidades sem fins lucrativos, a pesquisadora Caroline Santos, gerente de Análise e Disseminação do IBGE, afirmou que o tema “merecia um estudo mais aprofundado para ter resposta mais qualificada”. Ainda assim, ela apontou algumas hipóteses para explicar o resultado.
“Estamos falando de entidades não governamentais que prestam serviço, principalmente, na área de assistência social que, talvez, tenham essa preocupação maior com a colocação mais igualitária dos seus quadros”, disse.
Outra hipótese está relacionada à área de atuação dessas entidades, com forte presença em assistência social, serviços sociais e saúde.
“Atividades do perfil tradicional de inserção da mulher no mercado de trabalho. Se tem mais mulheres, provavelmente essa disparidade entre os salários se reduz”, completou.
Para a analista, áreas como educação e saúde também ajudam a explicar a diferença salarial observada na administração pública.
“São atividades predominantemente exercidas por mulheres. Funções remuneradas com menores salários”, afirmou.
Lei de Igualdade Salarial
Em julho de 2023, foi sancionada a Lei 14.611, conhecida como Lei de Igualdade Salarial, que obriga empregadores a pagarem salários iguais a homens e mulheres que exercem a mesma função.
Apesar da legislação, a diferença média entre os sexos persiste por fatores como a menor presença feminina em cargos de chefia e interrupções na trajetória profissional relacionadas à maternidade.
Cadastro de empresas
O levantamento do IBGE apontou que os 10,6 milhões de CNPJs ativos em 2024 empregavam 68 milhões de pessoas. Desse total, 54,2 milhões eram assalariadas e 13,8 milhões eram sócias ou proprietárias.
Por natureza jurídica, o país tinha 9,5 milhões de empresas, 1,1 milhão de entidades sem fins lucrativos e 59,4 mil instituições da administração pública.
Devido a uma mudança de metodologia, a atual série histórica do estudo começa em 2022. No intervalo de dois anos, o número de empresas e organizações cresceu 12,5%, passando de 9,4 milhões em 2022 para 10,6 milhões em 2024. No mesmo período, o total de pessoas ocupadas aumentou 8,4%.
Mais lidas
-
1ALARME FALSO
'Misantropia': sistema da Defesa Civil é invadido e dispara mensagem falsa em várias cidades
-
2EDUCAÇÃO
Filho de Luciano Huck e Angélica relata principal dificuldade na preparação para o vestibular
-
3OCORRÊNCIA
Acidente envolvendo carreta deixa duas vítimas fatais no trecho da Chã dos Costas
-
4TRÂNSITO
Detran-RJ vai exigir exame toxicológico de quem tirar primeira habilitação para carros e motos
-
5ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas