Geral
Ibovespa recua após três altas, pressionado por Petrobras e Vale
Queda do petróleo e baixa de metais pesaram sobre commodities, enquanto ações cíclicas avançaram com alívio nos juros futuros
O Ibovespa encerrou o pregão em queda nesta quarta-feira (24), interrompendo uma sequência de três sessões consecutivas de ganhos. O principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,44%, aos 170.506,66 pontos, pressionado principalmente pelo desempenho negativo de Petrobras e Vale, em meio à queda do petróleo e de metais básicos no mercado internacional.
Os sinais de normalização do fluxo no Estreito de Ormuz contribuíram para um tombo de quase 4% nas cotações do petróleo. Ao mesmo tempo, a perspectiva de dólar mais forte e juros elevados nos Estados Unidos pressionou os preços de metais básicos, com exceção do minério de ferro. Sem o apoio de ações de grande peso no índice, o Ibovespa perdeu fôlego. Também houve realização de lucros na maioria dos papéis de bancos.
Como contraponto, o fechamento da curva de juros no Brasil favoreceu ações cíclicas e de menor capitalização, que figuraram entre os destaques positivos do dia. Nesta quinta-feira, os investidores devem acompanhar o Relatório de Política Monetária (RPM) e a divulgação do índice de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), em busca de novos sinais sobre os próximos passos do Copom e do Federal Reserve.
Com giro financeiro de R$ 27,05 bilhões, o Ibovespa foi pressionado pelas quedas de Petrobras ON (-2,68%) e PN (-2,64%), Vale (-2,08%) e bancos, como Bradesco ON (-1,03%) e Santander Brasil Unit (-1,38%). Na máxima do dia, pela manhã, o índice chegou a 171.342,05 pontos, alta de 0,05%. Na mínima, marcou 169.668,34 pontos, baixa de 0,55%.
Com o desempenho desta quarta-feira, o índice reduziu o ganho acumulado na semana para 1,29% e passou a subir 5,82% no ano. Em junho, porém, ainda registra queda de 1,89%.
“Petrobras e Vale respondem por quase um quarto do Ibovespa, e grande parte das commodities mostra queda relevante hoje”, destacou o estrategista de ações da Nomos, Max Bohm, ao justificar o recuo do índice, apesar da baixa dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) no dia.
O petróleo caiu pelo terceiro pregão consecutivo. O Brent para setembro fechou em baixa de 3,81%, a US$ 73,87 por barril. Já o WTI para agosto chegou a operar abaixo de US$ 70 na mínima intradia, diante dos sinais de normalização do fluxo no Estreito de Ormuz e do avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã após a assinatura de um memorando de entendimento.
“A queda do Ibovespa hoje se dá fundamentalmente pelo petróleo, com fluxos em Ormuz voltando a se normalizar. Dificilmente o petróleo volta para patamares de US$ 60 por barril do pré-guerra, pois tivemos danos diretos de infraestrutura e o prêmio de risco geopolítico ainda está resiliente, mas esse nível entre US$ 70 e US$ 75 nos parece um patamar certo, o que acaba puxando Petrobras para baixo e, consequentemente, o índice”, afirmou o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos.
O minério de ferro chegou a subir 0,74% em Dalian, para US$ 109,56 por tonelada. Ainda assim, Bohm observou que o dia foi mais negativo para siderúrgicas e mineradoras em âmbito global. “Investidores estão saindo desses setores hoje, e Vale acaba se prejudicando também. A companhia também tem geração de caixa amparada em cobre, níquel e ouro, que recuam”, disse.
A própria Vale anunciou neste mês uma projeção indicando que espera que a subsidiária Vale Base Metals contribua com 28% do Ebitda consolidado da companhia em 2026. Nesta quarta-feira, cobre, níquel e ouro recuaram cerca de 3%, pressionados pela valorização global do dólar e pela expectativa de juros mais elevados nos Estados Unidos.
Na contramão do índice, ações cíclicas lideraram os ganhos do Ibovespa. C&A avançou 8,87%, seguida por Cyrela (+4,17%), Assaí (+4,16%) e Vivara (+3,52%). “Hoje os juros futuros estão fechando e os cíclicos domésticos estão performando bem, tanto que o índice de Small Caps avança. Ainda assim, a participação maior no índice vem de commodities”, ponderou Bohm.
Para Arbetman, da Ativa, mesmo com um comportamento mais calmo dos DIs, a ponta longa da curva segue com taxa acima de 14%, nível ainda considerado elevado.
O estrategista da Nomos observou, porém, que o Ibovespa negocia a um múltiplo Preço/Lucro de 8,3 vezes, abaixo da média global, de 15,9 vezes, e também da média dos mercados emergentes, de 11,9 vezes. Em termos comparativos, segundo ele, a Bolsa brasileira está mais barata do que as dos Estados Unidos, Europa, Coreia do Sul, México, Japão, Índia, Argentina e Colômbia.
“Nossa bolsa está barata, e o investidor tende a buscar exposição a commodities, com o Brasil sendo uma proxy disso. Essa combinação de fatores pode fazer o fluxo estrangeiro voltar, por mais que a Selic pare em um nível de 14% ao ano, mas dizer que o Ibovespa fechará a 200 mil pontos em 2026 é dependente do que acontecerá com as eleições”, avaliou Bohm.
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