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Queda populacional ameaça capacidade de sustentação do Brasil, avalia historiador
Ao podcast Mundioka, Ricardo Cabral afirmou que envelhecimento da população e fecundidade abaixo da reposição desafiam o futuro do Estado brasileiro
Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, o historiador Ricardo Cabral alertou que a queda demográfica em países como o Brasil, onde a população envelhece e a taxa de fecundidade permanece abaixo do nível de reposição, impõe desafios à qualidade de vida, à defesa e à própria sobrevivência do Estado.
A Índia entrou oficialmente no grupo de países com fecundidade abaixo da taxa de reposição populacional, estimada em cerca de 2,1 filhos por mulher. O país, o mais populoso do planeta, começa a trilhar um caminho que já preocupa boa parte do mundo, incluindo Brasil, México e Estados Unidos, nas Américas; a maior parte dos países europeus; e nações asiáticas como Japão, Coreia do Sul e China.
O caso mais crítico é o da Coreia do Sul, que, se mantiver o ritmo atual de declínio populacional, poderá ter, em 40 anos, metade da população de hoje. Na China, a população caiu pelo quarto ano consecutivo. Já na Alemanha, discute-se a criação de um imposto para pessoas sem filhos.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, o escritor e doutor em História Ricardo Cabral afirmou que a baixa taxa de reposição ameaça a qualidade de vida e a capacidade de sustentação do Estado. Na análise, o historiador destacou o caso brasileiro.
“Com o declínio demográfico e com a população exigindo cada vez mais direitos, uma vida mais digna, e solicitando uma presença maior do Estado, não fica viável financeiramente”, declarou.
Na avaliação de Cabral, o Brasil, que hoje tem cerca de 213 milhões de habitantes e passa por um processo de envelhecimento populacional, teria condições de sustentar uma população de 350 milhões de pessoas, especialmente por ser um grande produtor de alimentos.
Segundo ele, porém, faltam incentivos semelhantes aos adotados por países como a Rússia, que estimula a população jovem a ter pelo menos dois filhos por meio de políticas de apoio financeiro e educacional.
“Se a mulher quiser ficar em casa [cuidando dos filhos], vão pagar um salário para ela. […] Enquanto outras preferem trabalhar, ela vai receber um salário digno para isso. Então são coisas que foram pensadas na Rússia e que nós poderíamos trazer aqui para o Brasil”, afirmou.
Essas medidas, de acordo com o historiador, fazem parte de um projeto de Estado da Rússia que busca ampliar e manter a população, controlar tecnologias e avançar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Enquanto isso, segundo Cabral, o Brasil ainda carece de uma política de Estado voltada para a questão demográfica.
Para o especialista, países que enfrentam declínio populacional ao mesmo tempo em que registram aumento da expectativa de vida devem passar por um processo de maior presença da robótica no mercado de trabalho. Ele cita o Japão como exemplo.
“O Japão, em termos proporcionais, tem mais robôs até do que a China. Então já estão transicionando a mão de obra humana para mão de obra robótica”, disse.
Ao programa, Cabral afirmou que a principal questão a ser enfrentada no momento é a estabilização da taxa de reposição populacional.
“Há um descompasso entre natalidade e capacidade de sustentação. Isso teria que ser resolvido de forma não autoritária, de preferência. Mas países como Brasil e Rússia, para manter seu controle territorial, precisam aumentar a natalidade”, avaliou.
Para o historiador, uma forma de o Brasil retomar o crescimento populacional seria desconcentrar as grandes cidades e fortalecer polos regionais, como fez a Rússia. “É um sistema que seria interessante aqui no Brasil: potencializar cidades médias e cidades do interior. Se você for ver a riqueza, tirando o Rio [de Janeiro], São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador, a riqueza, mesmo nesses estados, está no interior”, afirmou.
Cabral defende que o Estado crie condições para estimular a migração da população das grandes cidades para o interior, com medidas como aluguel social em condomínios bem estruturados e reforço da segurança pública.
“Levar para o interior para dar uma condição de vida melhor, não fazer como foi feito nos anos 1960, tirar o pessoal daqui e criar favelas na periferia”, concluiu.
Por Sputnik Brasil
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