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Queda do petróleo pressiona Ibovespa, apesar de alta em NY

Índice brasileiro ignora avanço das bolsas norte-americanas e do minério de ferro, com Petrobras em queda de mais de 2%

Estadao Conteudo 24/06/2026
Queda do petróleo pressiona Ibovespa, apesar de alta em NY
Petróleo - Foto: Ilustração de IA

A desvalorização de cerca de 4% nas cotações do petróleo pressiona o Ibovespa na sessão desta quarta-feira (24). Com o movimento, o principal índice da Bolsa brasileira ignora a alta das bolsas em Nova York e o avanço do minério de ferro.

O petróleo recua pela terceira sessão consecutiva, em meio a sinais de normalização do fluxo no Estreito de Ormuz após o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã.

Depois de abrir praticamente estável, aos 171.256,00 pontos, e avançar 0,05% na máxima do dia, aos 171.342,05 pontos, o Ibovespa passou a operar perto da mínima intradiária. Por volta das 11h, o índice cedia 0,53%, aos 170.346,84 pontos, depois de tocar 170.178,68 pontos, queda de 0,63%. As ações da Petrobras recuavam mais de 2%.

Segundo João Daronco, analista da Suno Research, o índice sofre forte pressão do segmento de commodities, especialmente por causa do petróleo. Ele observa que o desempenho da commodity acaba arrastando as empresas do setor listadas na Bolsa.

Daronco avalia ainda que o movimento desta quarta-feira reflete sinais de saída de fluxo do Brasil em direção aos Estados Unidos. Para o analista, a valorização do dólar tem contaminado o apetite por ativos de países emergentes.

Em Nova York, as bolsas operam em alta moderada, após a queda registrada na véspera, provocada por vendas de ações do setor de tecnologia. Para Roberto Padovani, economista-chefe do BV, os mercados mostram comportamento um pouco melhor, mas o ambiente permanece marcado por cautela.

Em comentário matinal, Padovani citou duas preocupações principais: o setor de tecnologia e a possibilidade de alta de juros no mundo, especialmente nos Estados Unidos e no Japão, que deu sinais de que pode elevar as taxas.

A percepção de aperto monetário global ganhou força com a alta do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio. O Brent chegou a se aproximar de US$ 126 em meados de abril. Agora, porém, opera em níveis anteriores à guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, diante da distensão geopolítica.

Nesta quarta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Irã informou a Washington que não está cobrando pedágios de embarcações que transitam por Ormuz. Há relatos de que os países podem retomar conversas técnicas na próxima semana.

Na terça-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,52%, aos 171.258,87 pontos, após a avaliação de parte dos analistas de que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) indicou espaço para novos cortes da Selic.

As ações da Vale cediam 1,51%, apesar do avanço de 0,74% do minério de ferro em Dalian e de 1,25% em Cingapura.