Geral
Dólar sobe a R$ 5,1874 com aversão ao risco e juros nos EUA no radar
Moeda americana fecha no maior nível desde março, pressionada por cenário externo adverso, PMIs fortes nos EUA e expectativa por inflação americana
O dólar fechou em alta firme nesta terça-feira, 23, aproximando-se do patamar de R$ 5,20 em uma sessão negativa para moedas de países emergentes. A versão ao risco no exterior, em meio à queda das ações de tecnologia, e a expectativa por novos dados de inflação nos Estados Unidos nesta semana levaram investidores a buscar proteção na moeda americana.
No Brasil, a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) prejudicou parte do desconforto gerado pelo comunicado da semana passada, mas deixou claro o aumento da incerteza sobre os próximos passos da política monetária. O documento reforçou a possibilidade de pausa e posterior retomada do processo de permanência da taxa Selic.
Os operadores avaliam que o diferencial de juros continuará elevado mesmo no caso de novo corte da taxa básica, mas alertaram para a menor atratividade do carry trade diante do aumento da volatilidade nos mercados.
Em alta desde a abertura dos negócios, o dólar à vista atingiu máxima de R$ 5,1915 durante a tarde e cerrou o preço com avanço de 0,89% , cotado a R$ 5,1874 . Foi o maior valor de fechamento desde 30 de março, quando a moeda terminou o dia em R$ 5,2478.
Com o resultado, a moeda americana acumula valorização de 2,87% frente ao real em junho, após alta de 1,82% no mês anterior. No ano, as perdas, que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando o câmbio rondava R$ 4,90, agora estão em 5,49%.
O economista Fabrizio Velloni observa que o dólar avançou com força nesta terça-feira tanto em relação às moedas emergentes quanto diante de divisas fortes, em um ambiente de maior aversão ao risco. Segundo ele, sinais de vitalidade da economia americana aumentam como especulações sobre um eventual aperto monetário nos Estados Unidos até o fim do ano.
"O dólar já vem subindo faz algum tempo e hoje teve uma alta mais forte. O mercado ainda está tentando entender qual vai ser a postura do Fed. As últimas declarações de dirigentes são de menor tolerância com a inflação", afirma Velloni. Ele acrescenta que fatores domésticos, como o aumento da volatilidade à medida que a corrida presidencial se aproxima, também pesam sobre o real.
Referência para o comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia mais de 0,30% no fim da tarde, na casa dos 101,390 pontos, após atingir máxima de 101,433 pontos, o maior nível em pouco mais de um ano. O Dollar Index acumula alta de quase 2,5% em junho e superior a 3% no ano.
O euro recuou mais de 0,40%, baseado nas leituras abaixo das expectativas dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) na Europa.
Nos Estados Unidos, o PMI composto, que reúne serviços e indústria, subiu de 51,5 pontos em maio para 52,2 pontos em junho, o maior nível em cinco meses, segunda pesquisa preliminar da S&P Global divulgada nesta terça-feira. Os analistas esperavam queda para 51,4 pontos.
Os sinais de força da economia americana aumentam a atenção em torno da divulgação, na quinta-feira, 25, do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) referente a maio. O dado é acompanhado de perto pelo mercado, sobretudo após o tom duro adotado pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh, na última quarta-feira, 17.
“Os PMIs europeus abaixo do esperado, especialmente na Alemanha e no Reino Unido, ampliaram a aversão ao risco nos mercados globais, enquanto nos EUA os dados de atividade vieram acima da desvantagem, sustentando a percepção de juros elevados por mais tempo”, afirma o economista sênior Vitor Kayo, da Nomad.
Além do cenário externo desfavorável para divisas emergentes, a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, chama atenção para a falta de fôlego dos preços do petróleo, que segue abaixo de US$ 80 o barril e controlado o apetite pela moeda brasileira.
“Como o Brasil é exportador líquido de petróleo, essa queda da commodity acaba por afetar um pouco o câmbio”, afirma Quartaroli.
Apesar das declarações desencontradas pelas autoridades dos Estados Unidos e do Irã sobre o andamento das negociações de paz, os preços do petróleo foram encerrados em nível baixo. O mercado acompanhou a flexibilização das restrições americanas ao petróleo iraniano e o fluxo de embarques pelo Estreito de Ormuz.
O contrato do Brent para setembro, referência de preços para a Petrobras, fechou em queda de 0,93% , a US$ 76,80 o barril, acumulando desvalorização superior a 15% em junho.
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