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Dez anos do Brexit: cinco fatores que levaram britânicos ao ‘divórcio’ com a União Europeia

Referendo de 2016 aprovou a saída do Reino Unido do bloco por margem estreita; hoje, maioria avalia a decisão como equivocada

Sputnik Brasil 23/06/2026
Dez anos do Brexit: cinco fatores que levaram britânicos ao ‘divórcio’ com a União Europeia
Bandeiras do Reino Unido e da União Europeia simbolizam os dez anos do Brexit - Foto: © AP Photo / Kirsty Wigglesworth

Há dez anos, em 23 de junho de 2016, a população britânica aprovou a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) em um referendo decidido por margem apertada: 51,9% votaram a favor do desligamento, enquanto 48,1% defenderam a permanência no bloco.

Foi a primeira vez que um país-membro deixou a União Europeia, que passou a contar com 27 integrantes. O episódio ficou conhecido como Brexit e foi resultado de anos de debates políticos, econômicos e sociais.

Atualmente, a maior parte dos britânicos considera que deixar a UE foi uma decisão equivocada. Segundo pesquisa da consultoria britânica YouGov, apenas três em cada dez britânicos, o equivalente a 30%, avaliam hoje que votar pelo Brexit foi a escolha correta. Outros 55% apontam a decisão como um erro. A Sputnik Brasil preparou uma lista com cinco fatores que levaram os britânicos a apoiar o Brexit.

Restringir a entrada de imigrantes no Reino Unido

Um dos fatores preponderantes para a saída do Reino Unido da UE foi o movimento, liderado por setores conservadores, contra a entrada de imigrantes no país. À época, a Europa enfrentava um salto nos fluxos migratórios, impulsionado principalmente pelas consequências da Primavera Árabe em países do Oriente Médio e pela guerra na Síria.

No entanto, a saída do bloco não produziu o efeito esperado por seus defensores. Ao contrário: nos anos que se seguiram ao Brexit, o Reino Unido registrou um dos crescimentos populacionais mais rápidos de sua história. Em 2022, segundo o Office for National Statistics (ONS), a imigração no país atingiu o recorde de 745 mil pessoas.

Fortalecer a soberania dos britânicos sobre assuntos internos

Além do controle de suas fronteiras, os britânicos favoráveis ao Brexit defendiam o “divórcio” com a UE sob o argumento de que a saída do bloco permitiria ao país recuperar soberania legislativa. A proposta era que decisões internas fossem alinhadas aos interesses nacionais, sem submissão às regras comunitárias europeias.

Cessar os repasses à UE

Apoiadores do Brexit acreditavam que a saída da União Europeia permitiria redirecionar ao Reino Unido os recursos antes repassados ao bloco, com impacto positivo na qualidade de vida da população.

No entanto, a economia britânica não correspondeu às expectativas. Nenhum dos primeiros-ministros que governaram o país desde então conseguiu estabilizar plenamente o Reino Unido, em meio a disputas políticas, aos efeitos da pandemia e às consequências das sanções ocidentais contra a Rússia.

Independência econômica

Muitos britânicos acreditavam que deixar a UE ampliaria as possibilidades de o Reino Unido negociar seus próprios acordos comerciais com outros países. A filiação ao bloco impedia Londres de firmar tratados bilaterais de forma independente.

Defensores do Brexit argumentavam que a saída permitiria ao país buscar acordos mais ajustados às necessidades britânicas, especialmente com nações da Ásia e do continente americano.

Movimento antissistema

O movimento antissistema desempenhou papel fundamental no processo do Brexit ao explorar sentimentos contrários ao chamado status quo. A campanha utilizou mensagens de forte apelo emocional, com ênfase na identidade e na soberania nacional.

Essa abordagem foi essencial para ampliar o apoio ao Brexit, apresentando os argumentos em defesa da permanência na UE como alarmismo ou como parte de uma agenda associada ao sistema político tradicional.

Por Sputnik Brasil