Geral
O que se sabe sobre possível acordo para encerrar a guerra entre Irã, Israel e EUA
Negociações mediadas pelo Paquistão incluem reabertura do Estreito de Ormuz, discussão sobre o programa nuclear iraniano e possível redução de sanções
Estados Unidos e Irã voltaram a sinalizar que estão próximos de um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou neste sábado, 13, que as negociações avançaram e que um acordo pode ser concluído nas próximas 24 horas. Segundo ele, o Paquistão, que atua como mediador entre as partes, já se prepara para a assinatura eletrônica do documento e para uma rodada de negociações técnicas prevista para a próxima semana.
Apesar do otimismo, a Casa Branca não respondeu a questionamentos sobre o estágio das tratativas nem sobre uma possível data para a assinatura. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que nenhuma assinatura ocorrerá neste domingo, mas não descartou a possibilidade de avanço nos próximos dias. As declarações ocorrem após uma série de anúncios semelhantes que não se concretizaram.
A perspectiva de um entendimento ganhou força depois de uma semana marcada por confrontos entre Irã, Estados Unidos e Israel. Os combates aumentaram o temor de uma escalada regional e ampliaram os impactos econômicos da guerra iniciada em 28 de fevereiro. Um cessar-fogo está em vigor desde 7 de abril, mas permanece frágil.
Na sexta-feira, 12, o Comando Central dos Estados Unidos informou ter interceptado drones iranianos que teriam como alvo embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
Programa nuclear deverá ser discutido em até 60 dias
Um dos pontos centrais das negociações envolve o programa nuclear iraniano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os detalhes sobre o programa nuclear serão definidos nos 60 dias seguintes à assinatura de um acordo inicial. Segundo ele, as partes ainda poderão decidir pela prorrogação desse prazo.
Estados Unidos e Israel sustentam que o programa nuclear iraniano pode abrir caminho para o desenvolvimento de armas atômicas. Teerã, por sua vez, afirma que suas atividades nucleares têm fins exclusivamente pacíficos.
Um alto funcionário do governo americano, que falou sob condição de anonimato, afirmou que o acordo em negociação prevê o início do processo de destruição ou remoção do urânio altamente enriquecido mantido pelo Irã.
Segundo o representante, o período de 60 dias seria usado para definir os detalhes técnicos da operação. Ele não informou quem ficaria responsável pela retirada do material, que, conforme projeções, está armazenado em instalações nucleares atingidas por ataques americanos no ano passado.
Reabertura do Estreito de Ormuz
Outro ponto central do acordo é a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo o funcionário americano, o texto em negociação inclui medidas para restabelecer o tráfego na região, considerada estratégica para o abastecimento global de energia.
Araghchi afirmou que o Irã pretende manter a cobrança de taxas sobre embarcações que utilizem a rota. Durante a guerra, Teerã adotou um sistema de pedágio criticado pelos Estados Unidos e por outros países, sob a alegação de que a medida viola o direito internacional.
A interrupção do tráfego no estreito afetou o abastecimento global de petróleo e gás natural, pressionou os preços dos combustíveis e encareceu alimentos, fertilizantes e outros produtos em diferentes regiões do mundo.
Sanções podem ser reduzidas
Segundo três autoridades regionais ouvidas pela Associated Press sob condição de anonimato, o acordo também deverá prever a retirada gradual das sanções impostas ao Irã e a liberação de ativos iranianos congelados.
As fontes afirmaram esperar que a assinatura ocorra nos próximos dias, após a aprovação final das autoridades em Washington e Teerã.
Impasse sobre o Líbano permanece
Um dos pontos ainda sem definição envolve o Líbano. O Irã defende que qualquer acordo inclua um cessar-fogo no país, onde Israel mantém confrontos com o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã.
Na sexta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país poderá continuar agindo de forma independente em relação ao Irã e que não pretende retirar suas forças das áreas que ocupa no Líbano, na Síria e em Gaza, nem dos campos de refugiados no norte da Cisjordânia. Os confrontos no sul do Líbano continuaram neste sábado.
Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.
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