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Produtora diz ter gasto R$ 75 milhões em cinebiografia de Bolsonaro
Valor declarado pela Go Up Entertainment é inferior aos R$ 131 milhões que teriam sido solicitados por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, segundo reportagens.
A Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, declarou que a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) custou US$ 13,3 milhões, o equivalente a cerca de R$ 75 milhões. O valor é inferior aos R$ 131 milhões que, segundo reportagem do The Intercept Brasil, teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção sobre o pai.
De acordo com o portal Metrópoles, a informação consta em uma perícia privada contratada pela Go Up e anexada ao processo que envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), investigado por suspeita de desviar recursos de um contrato com a Prefeitura de São Paulo para financiar o filme.
A reportagem divulgada nesta sexta-feira (12) afirma que as despesas declaradas pela produtora incluem R$ 54,2 milhões em gastos nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil.
“Na declaração de gastos, a produtora informou que o orçamento inicial aprovado era de US$ 16 milhões, cerca de R$ 89,7 milhões. O valor é R$ 44,8 milhões menor do que a quantia que teria sido negociada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em 2025, conforme revelado pelo site The Intercept Brasil”, diz a matéria.
A Polícia Civil de São Paulo investiga se recursos de um contrato de R$ 143 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo, destinado à instalação de pontos públicos de wi-fi na capital paulista, teriam sido desviados para custear o filme.
A prefeitura afirma que os problemas apontados foram corrigidos. Segundo documentos citados na reportagem, a gestão municipal cobrou a devolução de quase R$ 1 milhão, incluindo um pagamento duplicado de R$ 925 mil a um fornecedor.
Em maio, o site The Intercept Brasil publicou que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente e irmão de Flávio Bolsonaro, administrava o orçamento do filme. A reportagem também afirmou que o senador teria solicitado, por mensagem de WhatsApp, R$ 131 milhões a Vorcaro.
Desse total, R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. A Polícia Federal apura se parte do dinheiro foi destinada a bancar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Nas redes sociais, o deputado negou ter exercido função de gestão dos recursos destinados ao filme.
TSE nega pedido para proibir exibição do filme
Nesta sexta-feira (12), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, rejeitou pedido apresentado pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e por advogados do Grupo Prerrogativas para impedir o lançamento do filme às vésperas das eleições gerais de outubro.
O ministro não analisou o mérito da alegação de que o filme poderia beneficiar politicamente Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. O lançamento da produção está previsto para setembro de 2026.
Nunes Marques rejeitou a ação por uma questão processual. Segundo ele, o deputado não tem legitimidade para apresentar o pedido.
De acordo com o ministro, a jurisprudência da Corte estabelece que, para questionar propaganda eleitoral de um candidato, o autor da ação deve disputar a eleição na mesma circunscrição do representado, o que não é o caso de Rogério Correia, que concorre à reeleição para deputado federal por Minas Gerais.
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