Geral
Juros intermediários e longos caem com expectativa de acordo entre Irã e EUA
Sinalização de entendimento entre os países derrubou o petróleo e aliviou as curvas globais, enquanto mercado avalia decisão do Copom em junho
Às vésperas da decisão de junho do Comitê de Política Monetária (Copom), os juros futuros intermediários e longos voltaram a devolver prêmios nesta sexta-feira, 12. Segundo agentes do mercado, embora os dados de inflação tenham mantido sinais qualitativos de pressão, a indicação do Irã de que um entendimento com os Estados Unidos está próximo deu suporte à correção de parte dos excessos acumulados na semana.
Com o ajuste no mercado local de renda fixa, a probabilidade indicada pela curva futura de que o Banco Central mantenha a Selic nos atuais 14,50% — que chegou a cerca de 70% na última quarta-feira — encerrou a sessão em 40%, segundo cálculos do banco Bmg. Em sentido oposto, a chance de um novo corte de 0,25 ponto percentual voltou a ser majoritária, ao avançar de 30% para 60%.
A reversão observada nos dois últimos pregões levou os principais vértices negociados na B3 a recuarem no acumulado da semana. O DI para janeiro de 2027 cedeu cerca de 8 pontos-base em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. Já os vencimentos de janeiro de 2029 e janeiro de 2031 caíram em torno de 35 pontos-base.
No dia, porém, a percepção de que o Banco Central perdeu graus de liberdade na condução da política monetária limitou a queda nos trechos mais curtos da curva. Ao fim dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 passou de 14,331%, no ajuste de quinta-feira, para 14,36%. O DI de janeiro de 2029 recuou de 14,559% para 14,455%, enquanto o DI de janeiro de 2031 caiu de 14,462% para 14,33%.
Impulsionados pela declaração do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, de que um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã “nunca esteve tão perto”, os contratos futuros de petróleo recuaram cerca de 3% nesta sexta-feira, ficando abaixo de US$ 90 o barril. O movimento trouxe alívio às curvas de juros globais e ajudou a moderar as taxas no Brasil.
No fim da tarde, Araghchi detalhou que o memorando, a ser composto por 14 artigos, será a primeira etapa de uma tratativa, seguida por negociações para um acordo definitivo.
Gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos avalia que, considerando a melhora do cenário externo, os DIs poderiam ter apresentado uma devolução maior dos prêmios. “A curva ainda está devendo um pouco, porque ainda temos um posicionamento muito ruim, sem tanta profundidade para a quantidade de players”, afirmou.
Campos lembra que o saldo da semana ainda foi marcado por eventos negativos para os juros, como o recrudescimento das expectativas inflacionárias, o ressurgimento das preocupações com o problema fiscal do País e a continuidade do confronto no Golfo Pérsico.
“Todo mundo estava apostando em um grau de normalização do conflito que pudesse trazer alguma flexibilidade para o BC cortar juros no curto prazo. Juntando todos estes elementos, a curva se descorrelacionou do externo de maneira forte e, agora, dependendo de como a guerra se encaminhar e da próxima reunião do Copom, pode voltar a ter racionalidade”, disse.
De todo modo, o gestor da Armor ressalta que, no curto prazo, o Banco Central tem menos espaço para afrouxar a Selic. Para ele, isso explica o desempenho mais fraco das taxas curtas em comparação aos demais vértices da curva a termo. “O BC perdeu flexibilidade em relação à condução da política monetária no curto prazo. Nosso cenário, de que deve haver mais dois cortes na Selic, já pode ser considerado otimista”, afirmou.
Para Ian Lima, diretor de Investimentos de Renda Fixa da Inter Asset, uma combinação de fatores que reforça a necessidade de postura mais cautelosa na política monetária deve levar o Copom a manter a Selic em junho. Segundo ele, os principais elementos que justificam a manutenção dos juros são a deterioração das expectativas de inflação, a persistência de uma inflação corrente ainda pressionada e um nível de atividade econômica mais resiliente do que o esperado.
Divulgado na abertura dos negócios pelo IBGE, o IPCA desacelerou de 0,67% em abril para 0,58% em maio, superando em 3 pontos-base a mediana das estimativas de analistas do Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que apontava alta de 0,55%. Na avaliação do economista Adriano Valladão, do Santander, a ausência de aceleração em diversos núcleos pode ser considerada “uma boa notícia” no indicador.
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