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Justiça determina que União demarque Terra Indígena do povo Kajkwakratxi

Decisão da Justiça Federal em Mato Grosso fixa prazo de 24 meses, indenização de R$ 10 milhões e pedido público de desculpas

Agência Brasil 12/06/2026
Justiça determina que União demarque Terra Indígena do povo Kajkwakratxi
Justiça deu 24 meses para União demarcar território tradicional do povo Kajkwakratxi

A Justiça Federal em Mato Grosso determinou que a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) concluam, no prazo de 24 meses, o processo de demarcação da Terra Indígena do povo Kajkwakratxi, também conhecido como Tapayuna.

Na decisão, o juiz federal Pablo Kipper Aguilar também ordenou o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e a realização de uma cerimônia pública de pedido de desculpas aos indígenas.

O magistrado reconheceu violações de direitos humanos cometidas contra o povo Kajkwakratxi. Ele determinou ainda que a União reúna toda a documentação disponível no Arquivo Nacional sobre violências ocorridas durante o processo de colonização da região do Rio Arinos e sobre a remoção forçada desse povo para o Parque Indígena do Xingu.

No processo, os indígenas contaram com apoio da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público Federal (MPF).

O juiz afastou o argumento da Funai e da União de que o Supremo Tribunal Federal (STF) já teria estabelecido prazo de dez anos para a conclusão das demarcações em andamento. Para ele, esse prazo tem natureza administrativa e não impede a atuação do Judiciário em casos de demora excessiva.

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“Agradeço a luta coletiva, fico muito feliz, a comunidade fica muito feliz, é uma surpresa”, afirmou Wetaktxi Tapayuna, presidente da Associação Indígena Tapayuna (AIT), em mensagem divulgada pela DPU.

Segundo ele, a decisão foi recebida pela comunidade como um momento “emocionante”. “É muita alegria ver toda essa trajetória que passamos até chegar nesse ponto tão importante, com relação ao nosso povo, com as gerações que estão lutando pelo território tradicional, para demarcação do território tradicional, com expectativa de viver em cima dos seus parentes que deixaram naquele tempo. Para defender nossa ancestralidade, para viver com a alma dos parentes”, completou Wetaktxi Tapayuna.

De acordo com o MPF, os indígenas Kajkwakratxi foram alvo de uma série de violências ao longo do século 20, que resultaram na desestruturação social do grupo. Na década de 1970, eles foram removidos à força, pelo Estado, de seu território tradicional para o Parque Nacional do Xingu.

Uma Reserva Indígena Tapayuna chegou a ser criada em 1968, mas foi extinta em 1976 sob o argumento de que não haveria indígenas na área. Há indícios, porém, de que ainda existam indígenas dessa etnia em isolamento na região de ocupação tradicional.

Fonte: Agência Brasil.