Geral
Bundesbank reduz previsão de crescimento da Alemanha e vê inflação mais alta
Banco central alemão cita impactos da guerra no Oriente Médio sobre energia, consumo e atividade econômica
O Bundesbank revisou para baixo suas projeções de crescimento da economia alemã e elevou as estimativas de inflação para este ano e para 2027. A instituição atribui a piora do cenário aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia e a atividade econômica.
Apesar do ambiente mais adverso no curto prazo, o banco central alemão avalia que a recuperação da maior economia da Europa deve ganhar força gradualmente, sustentada principalmente por uma política fiscal expansionista.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, 12, o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, afirmou que o conflito tem pesado sobre a economia alemã e deve retardar a retomada iniciada no inverno europeu. Ainda assim, ele destacou que os estímulos fiscais devem evitar uma contração da atividade no segundo semestre.
“A atividade econômica ganhará tração novamente ao longo do nosso horizonte de projeção até 2028”, afirmou Nagel.
O banco central passou a projetar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ajustado por calendário de 0,5% em 2026 e de 0,8% em 2027, abaixo das estimativas anteriores, de 0,6% e 1,3%, respectivamente, divulgadas em dezembro. Para 2028, porém, a previsão foi elevada de 1,1% para 1,4%.
Segundo a instituição, a alta dos custos de energia reduz o poder de compra das famílias, enquanto as empresas enfrentam gargalos de oferta, demanda mais fraca e maior incerteza. O Bundesbank espera que os preços do petróleo recuem de forma significativa até 2028, à medida que os efeitos do conflito diminuam.
Na inflação, a revisão foi ainda mais expressiva. A projeção para o índice harmonizado de preços ao consumidor subiu para 2,9% neste ano e 2,7% em 2027, ante estimativas anteriores de 2,2% e 2,1%, respectivamente. Apenas em 2028 a inflação deverá retornar para 1,9%.
Nagel afirmou que o choque de oferta provocado pela guerra no Oriente Médio tem se mostrado “forte e persistente”. Ele alertou ainda que uma nova disparada dos preços de energia poderia pressionar ainda mais a inflação e enfraquecer a atividade econômica.
O presidente do Bundesbank ressaltou que as novas projeções estão cercadas por um grau “particularmente elevado” de incerteza, em razão do cenário geopolítico.
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