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Alimentação e bebidas têm maior alta para maio desde 2015 no IPCA

Grupo respondeu por metade da inflação do mês, pressionado por alimentos consumidos em casa, energia elétrica e reajustes em habitação

Estadao Conteudo 12/06/2026
Alimentação e bebidas têm maior alta para maio desde 2015 no IPCA
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O custo dos alimentos voltou a subir em maio e completou o sexto mês consecutivo de alta. O grupo Alimentação e Bebidas passou de uma elevação de 1,34% em abril para 1,33% em maio, contribuindo com 0,29 ponto percentual para a taxa de 0,58% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o grupo respondeu por metade da inflação do mês.

“A alta em Alimentação e Bebidas é a maior para um mês de maio desde 2015, quando subiu 1,37%”, destacou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE.

Os alimentos para consumo no domicílio avançaram 1,65% em maio, também pelo sexto mês consecutivo. Foi o maior resultado para meses de maio desde 2008, quando a alta havia sido de 2,27%.

Segundo Gonçalves, o frete ainda pesa sobre os preços dos alimentos. Além disso, houve menor oferta de alguns produtos que ficaram mais caros no período.

Entre as principais altas, aparecem a batata-inglesa (44,69%), o tomate (20,62%), a cebola (16,80%) e as carnes (1,39%). Na direção oposta, registraram queda o café moído (-2,38%) e as frutas (-0,70%). O café acumula retorno de 12,25% em 12 meses.

“O café está com avanço na colheita, e o preço vem caindo há 11 meses consecutivos”, afirmou Gonçalves. "Há expectativa de safra recorde no Brasil. A tendência de queda da commodity no mercado internacional favorece o preço ao consumidor final."

A alimentação fora do domicílio subiu 0,49% em maio. O lanche teve alta de 0,49%, enquanto a refeição avançadau 0,51%.

De acordo com Gonçalves, o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã pode estar afetando os preços dos alimentos nos últimos três meses, tanto pelo impacto no frete, em razão dos combustíveis, quanto pelo encarecimento dos fertilizantes. “Isso acabou alocado no preço final”, disse.

Habitação

Conforme o IBGE, os gastos das famílias brasileiras com Habitação passaram de alta de 0,63% em abril para avanço de 1,22% em maio. O grupo contribuiu com 0,18 ponto percentual para a taxa de 0,58% do IPCA.

A energia elétrica residencial subiu 3,67% no mês, tornando-se o subitem de maior impacto sobre o índice, com pressão de 0,15 ponto percentual.

“Teve a bandeira tarifária amarela e reajusta em várias áreas”, explicou Fernando Gonçalves.

A energia elétrica incorporou reajustes de 5,91% em Aracaju, 5,59% em Fortaleza e 4,78% em Salvador, com vigência em 22 de abril; de 12,36% em Campo Grande, a partir de 24 de abril; de 3,86% em Recife, em 29 de abril; e de 5,21% em Belo Horizonte, a partir de 28 de maio.

Além dos reajustes, entrou em vigor a bandeira tarifária amarela, com acréscimo de R$ 1.885 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

Saúde

O grupo Saúde e Cuidados Pessoais desacelerou, passando de alta de 1,16% em abril para 0,90% em maio, dentro do IPCA.

Mesmo com a perda de ritmo, o grupo contribuiu com 0,12 ponto percentual para a inflação de 0,58% registrada no mês.

O resultado foi pressionado pelos aumentos nos artigos de higiene pessoal, que subiram 1,95%, com destaque para o avanço de 4,42% nos perfumes, além dos planos de saúde, que tiveram alta de 0,50%.