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Prefeitura de SP publica tombamento de prédio icônico em Higienópolis

Edifício da Escola Panamericana de Arte e Design, projetado por Siegbert Zanettini, é considerado marco da arquitetura pós-moderna paulistana

Estadao Conteudo 11/06/2026
Prefeitura de SP publica tombamento de prédio icônico em Higienópolis
- Foto: Reprodução / ESPM Panamericana

A Prefeitura de São Paulo publicou nesta quinta-feira, 11, a decisão do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp) que confirma o tombamento do prédio da Escola Panamericana de Arte e Design, em Higienópolis, na região central da capital paulista. A resolução foi divulgada no Diário Oficial do Município.

Em maio, a maioria dos conselheiros do Conpresp rejeitou o recurso apresentado pela Keeva Participações, proprietária do imóvel, que solicitava a reversão do tombamento aprovado em 2024. O edifício, reconhecido como referência da arquitetura pós-moderna em São Paulo, é uma obra do arquiteto Siegbert Zanettini.

A reportagem tenta contato com a Keeva. Em março, um representante da empresa informou ao Estadão que a via judicial poderia ser avaliada caso o recurso não fosse aceito.

A resolução publicada nesta quinta-feira reconhece como elementos de interesse no imóvel, em caso de futuras intervenções:

- A estrutura metálica principal, aparente tanto no interior quanto no exterior do edifício;

- Os túneis-pontes em estrutura metálica cilíndrica;

- O arremate piramidal em estrutura metálica, acima do 4º pavimento, na esquina entre a fachada lateral e a fachada da Rua Pará;

- As esquadrias em alumínio e vidro existentes em todas as fachadas do edifício;

- As escadarias aberta e fechada, com estrutura metálica;

- Os elevadores panorâmicos;

- O painel-porta pivotante do salão de exposições, no térreo.

No ato de tombamento, em 2024, o conselho reconheceu a “relevância da edificação como testemunho para a história da técnica e da arquitetura, revelando características importantes da linguagem pós-moderna e do urbanismo paulistano do final do século 20”.

O edifício se destaca pelo formato inusitado e pelo uso de cores vibrantes, como o vermelho, além de ter toda a estrutura em aço. As soluções arquitetônicas incluem lajes “cogumelo”, treliças e cilindros metálicos semelhantes à fuselagem de um avião vista por dentro. O parecer de tombamento ressalta a “estética high tech” do prédio, considerado “um verdadeiro marco da arquitetura e design de São Paulo”.

No recurso, a Keeva apresentou parecer do arquiteto Pedro Taddei Neto, segundo o qual o edifício não teria relevância arquitetônica. Para ele, o valor arquitetônico e histórico da obra não seria inédito nem excepcional, “tendo em vista que, datada de 1998, é uma obra tardia da geração das exoestruturas em aço”. O parecer também apontava não haver evidências de valor afetivo da construção para a população de São Paulo.

Entidades da sociedade civil, como o Movimento Defenda São Paulo, a Associação de Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados (APPIT) e o Coletivo Pró-Higienópolis, mobilizaram-se para manter a proteção legal do imóvel. Outro prédio da Panamericana, também projetado por Zanettini e com características semelhantes, localizado na Rua Groenlândia, foi demolido em 2021, apesar da mobilização pela preservação.