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Brasil precisa de líderes obcecados por melhorar a educação, diz Denis Mizne
CEO da Fundação Lemann defende integração nacional de dados educacionais, uso planejado de tecnologia e critérios mais rigorosos para cursos técnicos
O CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, defendeu nesta quinta-feira, 11, durante o Brasil Adiante, maior integração de informações entre os sistemas educacionais do país. Segundo ele, o governo federal deveria coordenar uma plataforma capaz de reunir dados sobre matrículas, estudantes e professores. “Tinha que ter o Pix da gestão educacional”, afirmou. Para Mizne, a iniciativa facilitaria a gestão das redes de ensino, e já há esforços em andamento nessa direção.
O Brasil Adiante é um projeto do Estadão voltado à apresentação de propostas concretas para os principais problemas do país. O ciclo de debates segue até o fim de agosto, após o início da campanha eleitoral. As soluções elaboradas serão consolidadas em um documento a ser entregue, em novembro, ao vencedor das eleições presidenciais. A proposta é encaminhar uma agenda integrada e executável para os primeiros 24 meses do próximo governo.
Para Denis Mizne, a solução dos problemas da educação passa pela definição da área como prioridade do próximo governo e exige até “fanatismo” dos gestores. “Precisamos de líderes obcecados em resolver os problemas da educação”, afirmou. “Vontade política não é um traço fixo. A gente pode mudar.”
Ao comentar o uso de tecnologia nas escolas, Mizne alertou que a inteligência artificial, sozinha, não resolverá os desafios educacionais. “A gente olha para esse negócio e pensa: ‘agora vai, o problema está resolvido’. E não vai”, disse. Segundo ele, para que a tecnologia produza resultados, sua implementação precisa ser planejada com foco em impactos concretos na aprendizagem.
Na avaliação do especialista, o programa de alfabetização do governo federal, que tem como meta erradicar o analfabetismo até o fim da década, não pode ser interrompido. Além disso, ele defende que as metas da iniciativa sejam elevadas. Para Mizne, a proficiência em matemática deve ser estimulada com a mesma intensidade que a alfabetização.
Critérios mais duros na avaliação de cursos
Na avaliação do CEO da Fundação Lemann, o ensino técnico tem crescido rapidamente no país, impulsionado por incentivos financeiros e programas de estímulo à matrícula. Para Mizne, houve uma mudança importante na percepção de famílias e estudantes. “Esses jovens estão querendo concretudes”, afirmou.
Ele considera o avanço positivo, mas ressalta que a expansão precisa ser acompanhada de critérios mais rigorosos. “Tem que ter critérios mais duros, avaliar com mais qualidade e garantir que o curso faz sentido e está sendo efetivamente entregue”, disse.
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