Geral

“Brasil não abaixa a cabeça”, diz Durigan ao defender soberania e Pix

Ministro da Fazenda afirmou que sistema de pagamentos é patrimônio estratégico do país e defendeu respeito ao Brasil no cenário internacional

Agência Brasil 10/06/2026
“Brasil não abaixa a cabeça”, diz Durigan ao defender soberania e Pix
Dario Durigan participa da reunião do Conselhão no Palácio Itamaraty, em Brasília

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou, nesta quarta-feira (10), a defesa da soberania nacional diante dos recentes anúncios feitos pelos Estados Unidos de barreiras comerciais e aumento de tarifas sobre insumos e produtos fabricados que atingem diretamente as exportações brasileiras.

“O Brasil não abaixa a cabeça para ninguém, e a gente defende a nossa política econômica pelo mundo”, afirmou.

A declaração ocorre no contexto das medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano. O Brasil busca convencer os Estados Unidos de que um acordo seria mais adequado do que uma tributação de 25%, conforme noticiado pela Agência Brasil . Também está em discussão o Plano Brasil Soberano, que introduziu novas regras e ampliou a adesão de empresas .

Durigan também defendeu o Pix , considerado pelo governo uma referência global em bancarização e inovação tecnológica. Segundo o ministro, o sistema é um patrimônio estratégico que seguirá sob governança do Estado brasileiro, sem interferências externas.

“A primeira demanda, a primeira tarefa que eu tenho é proteger a soberania ao lado do presidente Lula, em especial no nosso Pix”, disse.

As declarações foram dadas durante a abertura da 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Neste ano, o mote dos debates do chamado Conselhão é “Da ​​soberania nacional ao protagonismo global”.

Respeito

Ao relatar agendas recentes no Fundo Monetário Internacional (FMI), no Banco Mundial, no G20 e no G7, o ministro da Fazenda destacou que a comunidade internacional reconhece a liderança brasileira nos debates econômicos, ambientais e de transição energética.

Para Durigan, esse protagonismo exige que o país seja tratado com igualdade e respeito. “O Brasil é liderança mundial e a gente não abre mão de ser tratado com respeito e tratar com respeito a todos os países, a todas as outras comunidades e culturas do mundo”, afirmou.

Agenda social

Durigan também abordou pautas de apelo social e de segurança pública. Sobre a escala 6x1, o ministro afirmou que a manutenção desse modelo perpetua desigualdades e sobrecarrega trabalhadores de menores salários, especialmente negros e mulheres que acumulam dupla jornada.

"Quem já está na escala 5 por 2 é quem ganha mais, teve tempo e muitas vezes oportunidade familiar de estudar por mais tempo. E quem está na escala 6 por 1 são os trabalhadores mais mal remunerados, trabalhadores negros, mulheres e que ainda acumulam o trabalho com afazeres domésticos e outras responsabilidades, que ficam sobrecarregados", declarou.

No fim de maio, a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que termina com uma escala 6x1. A proposta terá o cronograma de tramitação definido nesta semana no Senado .

A PEC prevê a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana e a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem acréscimo salarial.

Cerco às bets

O ministro comparou o tratamento dado às casas de apostas online em gestões anteriores ao modelo adotado no governo Lula. Segundo ele, antes, as empresas do setor “têm a mesma imunidade que as lojas”.

“Hoje, as apostas pagam mais do que a mídia dos setores empresariais e passam os dados e estão sendo fiscalizadas”, afirmou.

Durigan destacou que o trabalho de fiscalização já resultou na derrubada de mais de 30 mil empresas irregulares e na concessão do uso de cartões de crédito para apostas, medida específica à proteção do orçamento familiar.

Asfixia ao crime organizado

O ministro anunciou uma cooperação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e com o governo norte-americano para combater o fluxo financeiro de facções criminosas.

A estratégia, operada por meio da Receita Federal, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da Polícia Federal, prevê o congelamento de ativos ligados ao crime organizado.

“O combate ao fluxo financeiro do crime organizado, eu acredito, é o mais importante para a gente asfixiar esse mal que segue causando graves prejuízos à nossa comunidade”, concluiu.

Crescimento industrial

Em discurso aos conselheiros, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, apresentou um balanço sobre a reindustrialização do país.

O ministro elencou indicadores de que, segundo ele, demonstram o reaquecimento da economia brasileira, como o aumento do salário médio e a menor taxa de informalidade da série histórica. Também citou a queda do desemprego, com taxa de 5,6%, o recorde de 103 milhões de brasileiros empregados formalmente e o maior rendimento médio, situado entre R$ 3.370 e R$ 3.732.

"Esses indicadores sociais só são obtidos porque a indústria voltou a crescer. Cresceu em 2024, com o lançamento da Nova Indústria Brasil, 3,1%. No primeiro quadrimestre, já avançou 1,7%. Por isso, tivemos mais de 7,6 milhões de postos formais no setor", destacou Elias Rosa.