Geral
Moradores do Vale do Reginaldo relatam mudança na rotina após chegada da iluminação em LED
Obras de iluminação pública da Prefeitura de Maceió ajudam a transformar cenário histórico de abandono na comunidade
Maior entre as 251 grotas, favelas e comunidades de Alagoas, segundo o último Censo do IBGE, o Vale do Reginaldo abriga cerca de sete mil pessoas em uma área de aproximadamente 550 mil m². Por muitos anos, porém, a dimensão da comunidade era associada pelos moradores a um cenário de escuridão e abandono. Para José Tibúrcio dos Santos, de 79 anos, o lugar parecia “um grande buraco escuro”.
Até cinco anos atrás, a população dependia da iluminação de pontos comerciais e do movimento dos faróis de carros e motos para circular por vias e vielas. Em muitos trechos, a iluminação pública era insuficiente, com poucos pontos de luz e lâmpadas antigas, de tonalidade amarelada. A partir de 2021, o cenário começou a mudar com a modernização de 45 pontos de luz e a instalação de 38 novos postes na comunidade.
Segundo a Prefeitura de Maceió, a atual gestão investiu R$ 680 mil em iluminação de LED no Vale do Reginaldo nos últimos cinco anos. A transformação surpreendeu moradores que, por décadas, conviveram com os impactos do crescimento desordenado da região, iniciado na década de 1950, e com promessas que não saíam do papel.
“Eu moro aqui desde 1984. Nunca vi nada acontecer no Vale, a não ser pela vontade dos próprios moradores. Eram muitas promessas, mas não ouvimos um bater de martelo. Antigamente, para você entrar aqui a pé, era o maior trabalho do mundo. De carro, pior. Hoje, graças a Deus, tudo está no asfalto e no LED. Quando é noite, a gente pensa que é dia. É uma bênção de Deus”, comemorou José Tibúrcio.
Natural de Viçosa, José Tibúrcio criou os seis filhos no Vale do Reginaldo. “Criei meus filhos aqui. Nenhum foi para o lado errado, todos se tornaram trabalhadores. Hoje moro com minha esposa e meu neto de 13 anos, que vive uma infância mais digna nesse lugar, diferente da que meus filhos tiveram lá atrás”, lembrou.
O Vale de frente para a cidade
No início dos anos 1950, o Vale do Reginaldo, localizado no bairro do Poço, em Maceió, passou a ser ocupado por famílias de baixa renda que fugiam de uma forte seca no interior de Alagoas. A grota, cujo nome faz referência a um antigo proprietário de terras da região, enfrentou por décadas as consequências da ocupação desordenada, sem acompanhamento adequado do poder público e em uma área ambientalmente instável. O resultado foram enchentes em períodos de chuva e poeira intensa durante a estiagem.
De acordo com a Prefeitura, o Vale do Reginaldo passou a receber atenção prioritária a partir de 2021, com intervenções sociais e de infraestrutura por meio do programa Brota na Grota. A comunidade recebeu praças, academia 60+, três escadarias, novas pontes, contenção de dez encostas, ruas pavimentadas e iluminação em LED. “Você está vendo isso aqui, minha filha? É como se estivéssemos morando em frente ao calçadão do Centro da cidade”, afirmou José Tibúrcio.
A comunidade também foi contemplada por obras do Renasce Salgadinho, apontado pela gestão municipal como a maior intervenção urbana já realizada pela Prefeitura de Maceió. A região recebeu Estações Elevatórias de Esgoto (EEE), lagoa e jardim filtrante, canalização do Riacho Pau D’Arco e pavimentação da principal via, com 3 km de extensão, que liga o Poço à Avenida Governador Afrânio Lages. Somadas, as ações do Brota na Grota e da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra) representam R$ 78,5 milhões investidos no Vale do Reginaldo, segundo o Município.
Comerciantes celebram
Nascida e criada no Vale do Reginaldo, Elionara Silva, de 29 anos, trabalhou durante anos em bares de Maceió. Em dezembro do ano passado, decidiu investir no próprio negócio e abriu, ao lado da esposa, o bar e petiscaria Tô no Vale. “Ser dona do meu próprio negócio aqui no Reginaldo era impossível até pouco tempo atrás. Eu tinha o desejo, mas não o impulso para iniciar. Não era motivação que faltava, mas uma infraestrutura que abrigasse o meu sonho de maneira digna”, contou a empresária.
O relato de Elionara dialoga com a experiência de Olavo Venâncio, proprietário da Panificação Família Venâncio. Instalada no Reginaldo, a padaria, que também comercializa produtos como salame, ovos, refrigerantes e fubá, enfrentou dificuldades para ser abastecida por causa das condições da comunidade. “Táxi e Uber não entravam aqui. Além dos buracos, era um verdadeiro breu, não tinha luz. A nossa dificuldade para abastecer a padaria era tremenda”, lembrou.
Parte dos produtos utilizados por Olavo Venâncio na padaria é comprada na parte alta de Maceió. Ele recorda que, no passado, precisava se deslocar para adquirir mercadorias, já que muitos fornecedores evitavam entrar no Vale. “Parte dos produtos que eu vendia era encontrada apenas na parte alta e eu tinha que me deslocar até lá para comprar. Hoje, meus fornecedores vêm até mim. Agora, abrir um negócio aqui no Vale ficou mais fácil”, destacou Venâncio.
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