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Queda recorde nas vendas de combustível expõe impacto do choque energético na Europa, diz mídia

08/06/2026
Queda recorde nas vendas de combustível expõe impacto do choque energético na Europa, diz mídia
Foto: © AP Photo / Michael Probst

A zona do euro registrou em abril a maior queda anual nas vendas de combustível desde 2023, com motoristas reduzindo deslocamentos diante da disparada dos preços provocada pelo conflito no Oriente Médio e pela interrupção do tráfego de petróleo no estreito de Ormuz.

Os motoristas europeus reduziram o consumo de combustível em abril, levando a zona do euro a registrar a maior queda anual nas vendas desde outubro de 2023. O recuo de 3,5% em relação ao mesmo mês de 2025 marca também a primeira contração desde julho de 2024, segundo o Eurostat, refletindo o impacto direto da guerra entre EUA e Israel contra o Irã sobre os preços da gasolina.

De acordo com a mídia britânica, seis economias europeias tiveram quedas de dois dígitos, entre elas Alemanha, Noruega e Áustria, em um movimento que também se repetiu no Reino Unido, onde as vendas caíram 10% após um mês de forte alta.

Os dados indicam que consumidores estão ajustando hábitos diante do choque energético provocado pela interrupção do transporte marítimo no estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial antes do início dos ataques ao Irã.

Autoridades britânicas afirmam que há sinais de que motoristas estão economizando combustível após terem estocado em março, reduzindo deslocamentos e adiando abastecimentos à medida que os preços avançam. O salto nos custos é generalizado: 12 países da União Europeia (UE) registraram aumentos superiores a um terço no preço do diesel em abril, enquanto a gasolina subiu, em média, 13,6% no bloco.

A pressão energética contribuiu para acelerar a inflação da zona do euro para 3,2% em maio, reforçando expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) eleve juros pela primeira vez em quase três anos. Analistas alertaram a mídia que a situação pode se agravar caso os preços do petróleo voltem a subir, especialmente porque muitos governos já esgotaram margens fiscais usadas para amortecer choques anteriores.

Diversos países — entre eles Alemanha, Espanha, Irlanda e Itália — reduziram impostos sobre combustíveis, somando mais de € 11 bilhões (mais de R$ 65,58 bilhões) em medidas fiscais. Apesar disso, instituições europeias e o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertam para o caráter indiscriminado dessas ações, que pressionam finanças públicas já fragilizadas.

Ainda de acordo com a apuração, especialistas também apontaram riscos de "turismo de combustíveis" dentro da UE, caso subsídios e tetos de preços criem distorções entre países vizinhos, levando consumidores a atravessar fronteiras em busca de valores mais baixos e desencadeando uma corrida por intervenções cada vez mais custosas.

Mesmo com a queda recente nas vendas, há expectativa de que a demanda por gasolina e diesel volte a crescer no verão (Hemisfério Norte). O aumento das tarifas aéreas, impulsionado por custos operacionais mais altos e oferta restrita de querosene de aviação, pode levar turistas a trocar o avião pelo carro. Companhias aéreas europeias, porém, afirmaram a mídia que não há risco de escassez de combustível e vêm reduzindo preços para estimular reservas.


Por Sputinik Brasil