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O dia que a África gritou ao mundo o que é resistência
Em 25 de maio de 1963, líderes africanos fundaram a Organização da Unidade Africana, marco da luta pela autodeterminação e símbolo de resistência contra o colonialismo.
Em 25 de maio de 1963, representantes de 32 nações independentes reuniram-se em Addis Abeba, na Etiópia, para fundar a Organização da Unidade Africana. Esse momento histórico marcou o nascimento do Dia da África, data que vai além da celebração das independências políticas: representa a afirmação do direito dos povos africanos à autodeterminação após séculos de colonialismo.
Em 1974, a data foi ratificada, desta vez como símbolo da libertação definitiva do continente, no contexto do fim das guerras coloniais em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde. "O Dia da África lembra que nossos projetos de transformação precisam seguir, independentemente da desigualdade bélica ou econômica", afirma Patrícia Teixeira, professora de História da África na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em entrevista ao podcast internacional da Sputnik Brasil.
O Brasil, onde 54% da população se autodeclara preta ou parda, mantém uma profunda ligação com o continente africano — e também uma dívida histórica com a população negra. Nas últimas décadas, o país avançou em políticas de ação afirmativa, ampliou o ensino de história e cultura afro-brasileira em todos os níveis e fortaleceu intercâmbios acadêmicos com pesquisadores africanos, especialmente após a Conferência de Durban, no final dos anos 1990.
Apesar dos avanços, o reconhecimento dessas conquistas convive com novas formas de violência e contradições profundas, como casos recentes de heteroidentificação racial que colocam em xeque os próprios mecanismos de proteção criados pelo movimento negro. "Não faz muito tempo, tivemos representantes políticos que afirmaram que não houve escravidão, ou que a escravidão não foi tão pesada no Brasil", relembra Gustavo Durão, analista político.
As conquistas, mesmo que graduais, são fruto de uma luta contínua por reconhecimento e justiça.
Por Sputnik Brasil
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