Geral
Esquerda brasileira critica decisão dos EUA de classificar facções como terroristas
Lideranças do PT e Rede apontam distorção do direito internacional e risco à soberania diante da medida americana
O anúncio do Departamento de Estado dos EUA de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais gerou críticas de setores da esquerda brasileira nesta sexta-feira (29).
Para o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, a medida, assinada pelo secretário de Estado americano Marco Rubio após agenda da família Bolsonaro em Washington, distorce o direito internacional e busca pressionar o Brasil.
"Há uma distinção no direito internacional a respeito do que é uma organização criminosa e o que é uma organização terrorista. E o que diferencia uma da outra basicamente é o objetivo pelo qual os crimes são cometidos", destacou Edinho Silva durante o lançamento de uma plataforma digital para colaboração no plano de governo do PT, nesta sexta-feira (29), em São Paulo.
Ele ressaltou que as organizações criminosas no Brasil têm como objetivo o lucro, o poder e o patrimônio, diferentemente de organizações terroristas, que cometem crimes para fins ideológicos ou políticos.
Segundo Edinho, ao classificar facções nacionais como terroristas, os EUA criam uma justificativa legal que ignora as fronteiras e instituições brasileiras. Ele também criticou a postura da oposição de apoiar a classificação americana.
"A direita brasileira, liderada pelo Flávio Bolsonaro e pela família Bolsonaro, em vez de defender o Brasil como um país soberano, defender os interesses do povo brasileiro, fragiliza o Brasil internacionalmente, fragiliza nossas empresas e investidores internacionalmente."
No mesmo evento, a ex-ministra do Meio Ambiente e deputada federal Marina Silva (Rede-SP) afirmou que a tentativa de trazer forças americanas para a segurança pública brasileira pode afetar aliados da família Bolsonaro.
"Vai impactar, em primeiro lugar, os amigos de quem foi fazer esse tipo de propósito. Aqueles que estão envolvidos, que estão organizados e que é de conhecimento com seus contos da mídia. Esses serão os mais impactados, com certeza."
Marina Silva defendeu que a competência e legitimidade para gerir a crise de segurança interna são exclusivas do Estado brasileiro.
"Para cuidar dos problemas de segurança do Brasil, quem cuida é o Brasil. Por isso que o presidente Lula se dispõe a trabalhar com todos os governadores", afirmou, defendendo a necessidade de pacto federativo. "Criar ganchos, que é uma linguagem da diplomacia, para possibilitar qualquer tipo de aventureirismo intervencionista no nosso país, isso não é tolerável."
Mais cedo, o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, também se manifestou no evento, criticando a hegemonia dos Estados Unidos, do G7 e da União Europeia.
O economista lembrou que o modelo ocidental das últimas quatro décadas foi baseado em "Estado mínimo, abertura comercial, flexibilização trabalhista e desregulação de mercados e da proteção ambiental" — fatores que, segundo ele, enfraqueceram a capacidade estratégica dos Estados nacionais.
Mercadante elogiou a industrialização da China, que manteve crescimento médio anual de 8,9% no período, e a expansão econômica da Índia e do Sudeste Asiático. Segundo ele, o dinamismo dessas regiões decorre de uma "relação muito criativa entre Estado e mercado".
Mais lidas
-
1INFRAESTRUTURA
Paulo Dantas anuncia triplicação da rodovia entre Maceió e Barra de São Miguel
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quando começa a valer a escala 5x2?
-
3JULGAMENTO DO CASO HENRY BOREL
Filha de ex-namorada de Jairinho relata agressões sofridas na infância
-
4LUTO
Professora Dorinha morre aos 57 anos após complicações de cirurgia em Arapiraca
-
5EDUCAÇÃO
Vestibular Unicamp 2027: confira os temas mais recorrentes na prova