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PIB do 1º trimestre reforça alerta para desindustrialização, avalia CNI

Confederação Nacional da Indústria vê cenário preocupante para o setor, com alta de custos, juros elevados e aumento das importações.

29/05/2026
PIB do 1º trimestre reforça alerta para desindustrialização, avalia CNI
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do 1º trimestre, divulgado nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforça o cenário de desindustrialização no País e mantém o setor em estado de alerta para 2026. Apesar do crescimento de 1% da indústria, ritmo próximo ao do PIB, que subiu 1,1%, a indústria de transformação avançou apenas 0,1% em relação ao 4º trimestre de 2025.

Segundo a entidade, o segmento industrial é penalizado pelos juros altos e pelo aumento da entrada de produtos importados, além do encarecimento de insumos e matérias-primas, agravado pela guerra no Oriente Médio. A elevação da tributação, com medidas como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a redução linear de incentivos fiscais, também impacta negativamente o setor.

“Esse quadro é ainda mais preocupante quando a indústria se depara com a redução da jornada de trabalho, em discussão no Congresso Nacional, o fim do imposto de importação sobre compras de pequeno valor e o tabelamento do frete, que já foram implementados. Os custos não param de subir e o ambiente é cheio de incertezas”, afirma o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra.

A indústria extrativa foi o principal fator de crescimento do setor industrial, com alta de 3,6%, impulsionada pela extração de petróleo, gás natural e minério de ferro, além da valorização dessas commodities devido ao conflito no Oriente Médio.

Já a indústria da construção registrou avanço de 2,9%, puxada pelo aumento do mercado de trabalho e das horas trabalhadas. De acordo com a CNI, as perspectivas para o segmento melhoraram após medidas como o aumento do valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e a ampliação de linhas de crédito para reforma de moradias de famílias de baixa renda.

Embora o investimento tenha crescido 3,5% no 1º trimestre de 2026, maior alta trimestral em cinco anos, a CNI considera que o resultado ainda não sinaliza mudança no modelo de crescimento, que segue pautado no consumo. Apesar da alta, a taxa de investimento caiu para 16,5%, ante 17,6% no mesmo trimestre do ano anterior.

Impulsionado por estímulos fiscais, o consumo das famílias subiu 1%, maior alta desde o 3º trimestre de 2024. “Boa parte da demanda por bens industriais tem se direcionado para as importações. Isso prejudica ainda mais a situação da indústria”, explica Marcio Guerra.