Geral
Consórcio liderado por Novonor e Mota-Engil vence concessão da Rota dos Sertões
Grupo arremata leilão com desconto de 19,6% na tarifa e prevê R$ 8,5 bilhões em investimentos
O Consórcio 116 Sertões , constituído pela Neo Invest (Novonor), a portuguesa Mota-Engil e Galápagos Capital, venceu o leilão de concessão da Rota dos Sertões, realizado nesta quinta-feira, 28, na sede da B3, em São Paulo. O grupo ofereceu um desconto de 19,6% sobre a tarifa de pedágio, superando outros dois concorrentes estreantes no setor de rodovias, incluindo Yvy Capital, de Paulo Guedes e Gustavo Montezano.
O trecho fornece soma 502 milhas das rodovias BR-116/BA/PE e BR-324/BA, conectando Feira de Santana (BA) a Salgueiro (PE).
O projeto prevê cerca de R$ 8,5 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos de contrato, sendo R$ 4,13 bilhões em transportes diretos (capex).
A Neo Invest integra a plataforma de concessões e investimentos em infraestrutura do grupo Novonor, também controlador da Odebrecht. Apesar do histórico relevante no setor rodoviário, a construtora prejudicou sua participação após a crise desencadeada pela Operação Lava Jato.
A vitória marca a estreia da Mota-Engil nas rodovias brasileiras. A empresa, que ampliou sua atuação no país ao vencer a licitação do Túnel Santos-Guarujá em setembro de 2025, tem a China Communications Construction Company (CCCC) como acionista. No ano passado, disputou o Lote 4 do Paraná, arrematado pela Motiva.
Apesar da presença ainda modesta no Brasil, a Mota-Engil acumula cerca de 219 projetos em diferentes setores na África, Europa e América Latina, incluindo rodovias, linhas de metrô, estádios, plataformas offshore e hospitais.
Investimentos e obras previstas
Entre as obras previstas para a concessão da Rota dos Sertões estão 108 milhas de duplicações, 5,2 milhas de trilhas adicionais, além da implantação de passarelas e pontos de parada e descanso para caminhoneiros. O projeto também contempla um contorno viário na travessia urbana de Serrinha (BA).
A Rota dos Sertões é o segundo leilão federal de rodovias realizado em 2026. O próximo certame previsto é a repactuação de Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), marcada para 23 de julho.
Disputa acirrada
O Consórcio 116 Sertões saiu vencedor após uma disputa a viva-voz com 14 lances contra a Atlas Rodovias, formada pela gestora Yvy Capital, Infra Brasil e Grupo Houer. Fundada por Guedes e Montezano, o Yvy criou, no início deste ano, o fundo Atlas para disputar rodovias de médio porte. Em março, concorreu ao leilão da Rotas Gerais (BR-116/251/MG), mas foi superado pela EcoRodovias.
O Grupo Houer também participou da disputa pela Via Liberdade (BR-356/MG e MG-262/329), arrematada por um consórcio de construtoras em setembro de 2025.
O Consórcio Via dos Sertões, formado pelos grupos de engenharia Aspen e DMDL, também participou da disputa, mas a oferta de 13,10% apresentada na primeira etapa não foi suficiente para avançar para a fase seguinte. O DMDL foi responsável pelas estruturas da COP30, incluindo a Zona Azul e o Hotel Vila Cop.
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