Geral
Crônicas inspiradas em Millôr Fernandes refletem sobre relacionamentos, envelhecimento e finitude
Livro "Ninguém solta a alça do caixão de ninguém" retrata inquietações sobre as relações humanas com referências a Luis Fernando Verissimo, Fernanda Torres e Vinícius de Moraes
A morte de um dos integrantes de um grupo de amigos altera a rotina no Bar do Susso, onde eles se encontravam religiosamente. Como o falecido era português e não tinha parentes no Brasil, a turma decidiu organizar o velório e passar a madrugada no salão paroquial. O tempo frio e a escassez de piadas ao longo das horas fizeram com que alguém sugerisse uma bebida para esquentar a noite. No fim, acabaram todos no bar — inclusive o morto — envoltos por lembranças das histórias engraçadas, até que um soltou: Ninguém solta a alça do caixão de ninguém.
Esta história real vivida pelo pai do escritor, jornalista e bancário aposentado Sergio Riede inspirou o texto que intitula seu novo livro. Também autor de “Câncer, eu? Memórias alegres de um medo profundo” (2020), no qual detalha as vivências durante o diagnóstico de câncer de próstata, ele desenvolveu a produção literária com crônicas produzidas entre 2024 e 2025. Finitude, morte e amizade são alguns dos dilemas que perpassam as 206 páginas.
Seis textos que integram Ninguém solta a alça do caixão de ninguém ou “Câncer, eu?” estão entre os vencedores do concurso Boleiros, do Selo Off Flip 2026, ligado à Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), nas categorias Contos e Crônicas. Outras duas produções do autor estarão na antologia “Guerra e Paz”, organizada pelo mesmo selo, com lançamento durante evento em julho no centro histórico de Paraty.
As narrativas da obra têm um ponto em comum: todas começam com um pensamento do escritor e desenhista Millôr Fernandes (1923 - 2012). A partir das ideias do seu inspirador, Sergio elabora com sagacidade considerações sobre uma miscelânea de assuntos. Relacionamentos com Inteligência Artificial, sucesso do cinema nacional, conquistas da seleção feminina de futebol e efeitos do tempo nas pessoas constroem narrativas que também mencionam os nomes de Luis Fernando Verissimo, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Freire e Ney Matogrosso.
Enquanto a utopia não floresce, cabe a pergunta: seria algum absurdo desejar que cada país trabalhe com soberania e autodeterminação, decidindo livremente sobre seu próprio destino, respeitando a dignidade humana e cuidando adequadamente do planeta que todos habitamos? (Ninguém solta a alça do caixão de ninguém, p. 64)
Em "Gerontolescência uma ova!", o autor apresenta um termo que combina "gerontologia" — estudo do envelhecimento —, com adolescência, para discutir novas perspectivas sobre a vida após os 55 anos, pois, como disse Millôr, “quem mata o tempo não é um assassino, mas um suicida”.
Já em "Imagine", trocadilho com a música de John Lennon, o exercício é imaginar o que aconteceria se um presidente do Brasil colocasse em prática algumas das atitudes polêmicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Procuro aguçar a reflexão dos leitores, abordando temas políticos e pessoais de uma perspectiva inovadora e bem-humorada", explica.
Prestes a completar 70 anos, Sergio Riede utiliza o tempo como aliado para provocar questionamentos sobre amor, política e arte com leveza e um toque de ironia. Com observações do cotidiano e inquietações sobre as relações humanas, as histórias ganham dimensões coletivas e reverberam em contemplações sobre experiências que podem atravessar qualquer leitor.
FICHA TÉCNICA
Título: Ninguém solta a alça do caixão de ninguém
Autor: Sergio Riede
Editora: Fontenele Publicações
ISBN/ASIN: 978-65-5871-827-7
Páginas: 206
Preço: R$ 50 (físico)
Onde comprar: Amazon

Sobre o autor: Sergio Riede é formado em Jornalismo, mestre em Gestão Empresarial e bancário aposentado. Publicou "Câncer, eu? Memórias alegras de um medo profundo" em 2020, após ser diagnosticado com câncer de próstata. Também adaptou para o teatro crônicas de Luis Fernando Verissimo, na peça "Sexo na Cabeça", premiada em festival amador no Rio Grande do Sul. Escreveu Ninguém solta a alça do caixão de ninguém, lançado em novembro de 2025. É vencedor do concurso "Boleiros", do Selo Off Flip, vinculado à Festa Literária Internacional de Paraty.
Instagram: @sergioriede
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