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BoJ registra perda recorde de US$ 285 bilhões com títulos públicos japoneses
Banco do Japão enfrenta maior prejuízo histórico com JGBs após mudança na política de juros, mas mantém estratégia de longo prazo.
O Banco do Japão (BoJ) registrou uma perda recorde em suas posições de títulos públicos japoneses (JGBs) no último ano fiscal, refletindo o impacto da recente elevação dos juros no país.
Segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira (27), o banco central japonês acumulou uma perda não realizada de 45,441 trilhões de ienes, equivalente a cerca de US$ 285,3 bilhões, em suas posições de JGBs no exercício encerrado em março.
O resultado supera o prejuízo de 28,625 trilhões de ienes (US$ 179,5 bilhões) registrado no ano anterior e representa o maior valor negativo desde o início da série histórica comparável.
Autoridades do BoJ reiteram que as perdas não afetam as decisões de política monetária, já que a intenção é manter os títulos até o vencimento, evitando a realização efetiva das perdas contábeis.
Desde que abandonou a política de juros negativos em 2024, o BoJ vem promovendo um aperto gradual nas condições monetárias, o que elevou os rendimentos dos títulos públicos japoneses.
A valorização dos rendimentos ganhou força recentemente devido a temores de que o conflito no Oriente Médio, ao pressionar os preços do petróleo, possa dificultar o controle da inflação pelo banco central. Caso o cenário persista, as perdas contábeis com JGBs tendem a aumentar.
Outro fator de pressão sobre os rendimentos dos JGBs é o plano de estímulo fiscal do governo, que ampliou as preocupações em torno do elevado endividamento do Japão, justamente quando o BoJ reduz suas compras de títulos.
Em anúncio recente sobre o orçamento suplementar, a primeira-ministra Sanae Takaichi assegurou que a medida não resultará em aumento da oferta de títulos no mercado.
O banco central também segue reduzindo gradualmente sua carteira de ações e, no último ano fiscal, registrou lucro não realizado recorde de 57,066 trilhões de ienes (US$ 357,9 bilhões) em suas posições em fundos negociados em bolsa (ETFs).
Fonte: Dow Jones Newswires.
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