Geral
São Paulo recebe a 3ª Mostra Etnomídia Indígena
Neste sábado (30), das 14h às 17h, a Galeria Carmo Johnson, em São Paulo, recebe a 3ª Mostra Etnomídia Indígena. Sob o tema “Festival de Impressos Indígenas”, o evento adota o formato de feira-festival e permanece em cartaz até 20 de junho, consolidando-se como um espaço importante para a expansão da criatividade, da memória e da resiliência de diversos territórios brasileiros.
O evento funciona como uma feira-exposição de artes, atuando como uma plataforma para que a produção intelectual e artística de diversos povos ocupe o centro do debate cultural em São Paulo. Por isso, a ideia de impressos e impressões são o foco desta Edição, que reúne a materialidade da cultura indígena manifestada em múltiplas formas, como a literatura, a moda, impressos e as artes visuais.
Ao transitar por esses diferentes campos, a mostra busca expandir o conceito de criatividade e fortalecer a memória dos povos originários, permitindo que o público compreenda a arte a partir da perspectiva de cada participante. Dois núcleos, fortalecem esse diálogo: um que traz obras de artes visuais expostas como em exposições, e outro, com os diversos impressos a disposição do público, como nas feiras independentes de impressos.
A coordenação geral do Projeto, Naine Terena reforça que esta terceira edição, ‘brinca’ com a ideia das exposições de arte em diálogo com as feiras independentes de impressos, para que se tenha a dimensão das produções indígenas. Para ela, este é também um campo de expansão da atuação indígena, já que a Mostra conta com a presença forte de profissionais oriundos de diversos povos. Naine ressalta a consolidação do projeto ao lembrar que esta é a terceira etapa de um caminho de investigação sobre a mídia indígena e seus desdobramentos. Enquanto as duas edições anteriores tiveram como temas o audiovisual e as "entidades virtualizadas" no século XXI, o atual foca na tangibilidade da impressão e da escrita.
Gustavo Caboco, curador do festival, explica que o conceito de "impresso" na mostra é deslocado de sua definição técnica ocidental para uma dimensão territorial e corpórea. Ele detalha que "no mundo das artes, 'impresso' se relaciona às técnicas de gravura. Mas, num festival de impressos indígenas a materialidade se une à memória e o sentido da palavra impresso ganha múltiplos sentidos".
Caboco defende que as obras apresentadas, sejam elas em tecidos, vídeos ou palha, são, na verdade, impressões dos corpos e dos territórios de povos como os Guarani Ñandeva, Boe, Patamona, Manoki, Myky, Wapixana e Terena. A arte, neste contexto, é o registro físico de uma vivência ancestral transportada para o presente.
Ao final, o curador define as impressões indígenas como "territórios férteis". Ele pontua que, ao levar essas obras para escolas, universidades ou galerias, os artistas estão carregando a memória de seus territórios originários em suas falas e ações, transformando cada peça exposta em um documento vivo da existência e resistência indígena.
Um dos grandes destaques desta edição é a expografia. Naine Terena explica que é um desejo antigo, também fazer com que o espaço de uma exposição pudesse se assemelhar com a organização espacial e social de alguns povos e aldeias indígenas, trazendo a possibilidade de apresentar como tais representações se dão no dia a dia desses povos. Pensando nisso, os estudos assinados por Libério Uiagumeareu, do Povo Boe Bororo Naine Terena e Gustavo Caboco, analisaram a planta da Galeria Carmo Johnson em relação a uma aldeia Boe Bororo, fazendo nascer uma organização do espaço não meramente estético, mas que replica a complexa organização social e geográfica de uma aldeia Boe, criando uma tradução física da cosmologia indígena, nominada como ‘PA MUGA’, por Libério.
“Conhecendo cada artista, depois a obra e mensagem da peça, nós em cima disso trabalhamos essa aldeia e esse espaço. E denominamos Ce Muga e Pa Muga. Ce Muga no caso, seria o nosso espaço de exposição, no caso o nosso espaço indígena, e Pa Muga seria o nosso espaço como um todo desse diálogo do não indígena com o indígena, o nosso espaço macro”, explica ele.
Participantes
Entre os nomes confirmados está o Coletivo REMBYAPÓ, formado por Ara Guarani, Sônia Guarani e Claudiomiro Guarani, que vivem no Espírito Santo, que trazem um conjunto de pinturas e objetos instalativos, que fazem referência a cultura e vida do seu povo. Edson Benites (Gerpa filho), letrista profissional com quatro décadas de atuação em pintura manual, e a artista Miguela Moura, são de Mato Grosso do Sul e produzem uma grande painel, o’ Jegua marangatu - grafismo sagrado’.
Somando-se a eles, o artista plástico Isaías Miliano, das etnias Macuxi e Patamona e o Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky. Formado por jovens realizadores de Mato Grosso. O grupo carrega no nome a síntese de sua missão: Ijã (história/caminho) e Mytyli (novo). Para os integrantes, o uso do cinema é uma ferramenta para narrar trajetórias ancestrais sob uma perspectiva jovem, guiada pela premissa de que toda história atravessa um caminho que deve ser percorrido com atenção para que ninguém se perca.
A 3ª Mostra Etnomídia Indígena é uma realização da Oraculo Comunicação, com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras.
Site: https://oraculocomunica.com.br/etnomidia26/
+Fotos: https://drive.google.com/drive/folders/1Wx2xsFPxv2Xw6crbK4tpa1vjx-FfZ--
Mais lidas
-
1INFRAESTRUTURA
Paulo Dantas anuncia triplicação da rodovia entre Maceió e Barra de São Miguel
-
2TÊNIS INTERNACIONAL
Sinner pode quebrar dois recordes históricos se vencer Ruud na final do Masters 1000 de Roma
-
3LUTO
Professora Dorinha morre aos 57 anos após complicações de cirurgia em Arapiraca
-
4LOTERIAS
Mega-Sena especial de 30 anos tem ganhadores no Rio e em Fortaleza; confira o resultado
-
5LOTERIAS
Mega-Sena 30 anos: confira o resultado do sorteio especial e os maiores prêmios da história