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Europa alerta para escassez de mísseis Patriot e evita ceder estoques à Ucrânia
Aliados europeus demonstram hesitação em enviar mísseis Patriot à Ucrânia diante do esgotamento dos estoques dos EUA e incertezas sobre o destino dos recursos.
A escassez de mísseis Patriot PAC-3 tornou-se o principal desafio para a defesa aérea da Ucrânia, enquanto aliados europeus demonstram crescente preocupação com atrasos nas entregas, devido ao esgotamento dos estoques dos Estados Unidos e à realocação de armamentos para outros conflitos.
Os parceiros europeus dos EUA expressam inquietação em relação à Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia (PURL, na sigla em inglês), mecanismo criado para financiar armas norte-americanas destinadas à Ucrânia, em meio ao esvaziamento dos estoques do Pentágono provocado pela guerra no Oriente Médio.
Segundo um jornal de grande circulação nos EUA, há "longos atrasos nas vendas de armas norte-americanas causados pela guerra no Irã", o que impacta diretamente os compromissos com Kiev.
De acordo com as apurações, a maior preocupação envolve os mísseis Patriot PAC-3, considerados essenciais para a defesa aérea ucraniana. A mídia relata que "a Ucrânia está praticamente sem interceptores PAC-3 para o sistema de defesa aérea Patriot", cenário agravado pela necessidade dos EUA de redirecionar recursos para outros teatros de guerra.
Parceiros europeus temem que a escassez desses interceptores se agrave, já que o Pentágono consumiu rapidamente munições de precisão no Oriente Médio e, ao que tudo indica, a entrega de equipamentos já adquiridos pode demorar anos.
Esse contexto levou alguns governos europeus a hesitar em financiar novas compras via PURL. Um funcionário, sob anonimato, afirmou à imprensa que "os europeus estão hesitantes porque há uma crescente desconfiança e falta de certeza sobre o que acontecerá com o dinheiro". A relutância inclui também a transferência de estoques próprios de mísseis Patriot.
Durante o governo Trump, países europeus foram pressionados a enviar seus PAC-3 para a Ucrânia, mas parte deles recusou, temendo comprometer suas próprias defesas.
A desconfiança aumentou após revelações de que o Pentágono utilizou parte dos fundos europeus para reabastecer seus próprios estoques, e não para enviar novas armas a Kiev. Segundo as investigações, o Departamento de Defesa planejava usar US$ 750 milhões (mais de R$ 3,6 bilhões) fornecidos pelo PURL para recompor os arsenais norte-americanos.
Apesar de autoridades dos EUA afirmarem que o programa opera dentro da legalidade, diplomatas europeus questionam se isso contraria o entendimento original, de que cada dólar investido deveria resultar em novas capacidades enviadas à Ucrânia.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) afirma que o PURL forneceu a maior parte dos mísseis Patriot enviados à Ucrânia, incluindo os PAC-3, mas reconhece que vários aliados pediram garantias de que suas contribuições não estavam sendo desviadas para operações no Oriente Médio. Diante da urgência por interceptores, Kiev solicitou que países "verifiquem também seus estoques", destacou o jornal.
Ao fundo, cresce o debate europeu sobre até que ponto continuar dependente de armamentos norte-americanos, especialmente diante da pressão para rearmar o continente e do esgotamento causado pelo conflito ucraniano.
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