Geral
BRB firma acordo com Quadra Capital para criar fundo e vender R$ 15 bi em ativos do Master
Operação visa fortalecer capital e liquidez do banco, que ainda busca aporte do governo do Distrito Federal para cobrir rombo deixado pelo Banco Master.
O Banco de Brasília (BRB) anunciou, na noite de segunda-feira (20), a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento responsável pela venda de ativos adquiridos em operações com o Banco Master. Segundo fato relevante divulgado pelo banco estatal, o valor de referência da operação, aprovada pelo Conselho de Administração, é de R$ 15 bilhões — sendo de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões pagos à vista e o restante em "cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos".
"O BRB, através da operação, visa a alienação dos referidos ativos com o objetivo de fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez, bem como aprimorar a gestão de seu portfólio. A transação representa etapa relevante no processo de readequação da companhia, com expectativa de efeitos positivos sobre a liquidez, a gestão de ativos e a racionalização patrimonial", informou o banco.
Atualmente, o BRB possui uma carteira de R$ 21,9 bilhões em ativos provenientes do Banco Master. O banco já negociava a venda de R$ 1,9 bilhão e ainda detinha R$ 20 bilhões disponíveis. Desses ativos, a Quadra Capital propôs a compra de uma carteira por R$ 15 bilhões, conforme anunciado pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão, no último dia 10.
Com a venda dos ativos por meio do fundo de investimentos, o BRB espera conter a crise de liquidez, mas ainda será necessário um aporte do Distrito Federal. Para isso, o governo distrital pretende buscar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a outros bancos, públicos e privados, para cobrir o rombo deixado pelo Master no patrimônio do banco estatal.
Segundo o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, o banco e o governo avaliam agora quais garantias serão oferecidas, como imóveis públicos e ações em empresas públicas.
O BRB enfrentou uma nova crise de liquidez no início do mês. O presidente da instituição foi a São Paulo acompanhado da governadora, onde ambos se reuniram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e outros representantes do sistema financeiro. A proposta apresentada agora já estava em discussão e foi levada a Galípolo.
Em entrevista ao Estadão na segunda-feira (20), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o BRB foi vítima de uma fraude praticada pelo ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, preso pela Polícia Federal no último dia 16, em uma tentativa de permanecer no comando do novo banco que seria criado com a compra do Master.
A Polícia Federal apontou que Paulo Henrique Costa teria recebido R$ 146 milhões em propina, paga pelo banqueiro Daniel Vorcaro, por meio da transferência de seis imóveis de luxo. Costa nega as acusações.
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