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FMI alerta para impacto desigual da guerra na América Latina e alta generalizada da inflação

Relatório do Fundo Monetário Internacional destaca que, apesar de alguns países se beneficiarem dos altos preços da energia, toda a região enfrentará aumento inflacionário.

17/04/2026
FMI alerta para impacto desigual da guerra na América Latina e alta generalizada da inflação
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A guerra no Oriente Médio deve provocar efeitos desiguais na América Latina e no Caribe, mas a inflação tende a subir em todos os países da região, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI) em relatório divulgado nesta sexta-feira, 17. Apesar de produtores de petróleo como o Brasil se beneficiarem dos preços elevados de energia, o FMI recomenda que governos preservem a credibilidade das políticas monetárias e fiscais para enfrentar o novo cenário de volatilidade.

“O impacto sobre a atividade econômica vai variar muito entre os países, mas o impacto sobre a inflação é mais uniforme. A inflação será maior para todos”, afirmou Nigel Chalk, diretor do departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, ao comentar as perspectivas para a América Latina e o Caribe durante as reuniões de Primavera, em Washington (EUA).

O FMI revisou para cima a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e Caribe, projetando alta de 2,3% em 2024 — 0,1 ponto percentual acima da estimativa anterior, feita em janeiro. Para 2025, a expectativa é de aceleração para 2,7%, mantendo a projeção anterior.

Entre os destaques de crescimento na região estão Paraguai, Argentina, Equador, Chile e Colômbia.

Para o Brasil, o FMI estima avanço de 1,9% no PIB deste ano, uma melhora de 0,3 ponto percentual, e 2,0% em 2027. Já a Bolívia deve enfrentar mais um ano de recessão, segundo o Fundo.

“Os produtores de petróleo — Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos e Venezuela — estão se beneficiando dos altos preços da energia”, destacou Chalk. Segundo ele, o choque de commodities fortalece o balanço de pagamentos, apoia o crescimento e melhora as finanças públicas desses países. No entanto, mesmo nessas economias, os mais vulneráveis serão impactados pelos preços elevados de energia e alimentos.

Apesar do contexto de guerra, o FMI manteve a projeção de desaceleração da inflação na América Latina e Caribe para 6,7% em 2024, ante 7,6% em 2025. Para 2027, a previsão é de queda para 4,9%.

Chalk ressaltou que a região iniciou 2026 “em base sólida”, com crescimento “no potencial” e inflação “próxima da meta” dos bancos centrais, após lidar com os impactos de tarifas impostas pelo governo dos EUA. O ritmo das exportações acelerou, apesar das incertezas políticas, mas a guerra já traz “ramificações importantes” via commodities e condições financeiras globais, elevando os riscos negativos.

Entre as economias mais vulneráveis ao choque global estão as caribenhas dependentes do turismo, com dívida elevada e importações líquidas de energia representando cerca de 6% do PIB. “A América Central não está muito atrás em sua exposição a altos preços de energia e, para alguns, há restrições em sua capacidade de adotar medidas de mitigação, devido ao espaço fiscal limitado”, acrescentou Chalk.

Países com déficits em conta corrente significativos e dependência de financiamento externo, mesmo exportadores de energia, enfrentam custos de financiamento mais altos e acesso mais restrito ao mercado, já que a guerra reduz o apetite ao risco dos investidores.

O FMI recomenda que as autoridades fiscais da região resistam à pressão por subsídios amplos e priorizem redes de proteção focalizadas, utilizando o espaço fiscal de maneira estratégica para famílias vulneráveis, agricultores e empresas. “Diante dos altos níveis de dívida, a região tem pouco espaço para ampliar ainda mais os déficits fiscais”, concluiu Chalk.

Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.