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IBGE confirma: está faltando homem no Brasil. Por que isso acontece?

Pesquisa do IBGE revela desequilíbrio entre homens e mulheres no país, especialmente após os 40 anos, e aponta causas sociais e biológicas para o fenômeno.

17/04/2026
IBGE confirma: está faltando homem no Brasil. Por que isso acontece?
IBGE confirma: está faltando homem no Brasil. Por que isso acontece? - Foto: Divulgação/IBGE

Está faltando o mesmo homem. Uma queixa recorrente das mulheres, sobretudo daquelas com mais de 40 anos, ganhou respaldo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, divulgados nesta sexta-feira (17), existem apenas 95 homens para cada 100 mulheres no Brasil.

Diferentes cenários regionais

A situação é ainda mais variável dependendo do Estado e da faixa etária. No Rio de Janeiro, por exemplo, entre pessoas com mais de 60 anos, há apenas 70 homens para cada 100 mulheres. Em São Paulo, o cenário é semelhante: são 76 homens para 100 mulheres na mesma faixa etária.

Números do último Censo

O último Censo do IBGE, realizado em 2022, apontou uma população de 104.548.325 mulheres e 98.532.431 homens no país — cerca de 6 milhões de mulheres a mais. Os especialistas explicam que as chamadas causas externas, como acidentes graves e violência urbana, atingem de forma desproporcional os homens. Além disso, as mulheres costumam cuidar mais da saúde, o que contribui para o aumento dessa diferença.

Evolução histórica

O aspecto não é recente. A série histórica da PNAD mostra que, em 2012, a população brasileira era composta por 48,9% de homens e 51,1% de mulheres, proporção que se manteve até 2018. Em 2019, houve alteração: 48,8% de homens e 51,2% de mulheres. Até 2024, as porcentagens seguiram resultados.

Questões biológicas e sociais

Por razões biológicas, em todo o mundo nasce de 3% a 5% mais homens do que mulheres. No Brasil, essa diferença se mantém até os 24 anos, quando a população feminina passa a superar a masculina. Isso ocorre porque, entre os adultos jovens, há muito mais mortes masculinas relacionadas a causas não naturais, como violência e acidentes.

Além disso, a expectativa de vida das mulheres é maior globalmente. Isso é atribuído ao fato de elas se cuidarem mais, alimentarem-se melhor e frequentarem mais os médicos. Por isso, na faixa acima dos 60 anos, é comum o número de mulheres ser significativamente superior.

Transição demográfica e desigualdade regional

Com a transição demográfica — envelhecimento da população e redução dos nascimentos —, essa diferença tende a se acentuar. A tendência se repete em quase todas as regiões e Estados do país, segundo a PNAD. As abordagens são Tocantins (105,5 homens para 100 mulheres), Mato Grosso (101,1) e Santa Catarina (100,2).

O tipo de oferta de trabalho também influencia uma proporção, como em regiões com atividades de mineração e agronegócio, que atraem mais homens.

Impactos sociais

A diferença entre o número de homens e mulheres não é necessariamente negativa para eles. Segundo estudo do professor Paul Dolan, da London School of Economics, mulheres solteiras e sem filhos tendem a ser mais felizes e saudáveis ​​do que as casadas. Já os homens se beneficiam mais do casamento, pois passam a se cuidar melhor e têm mais apoio emocional. Para as mulheres, a união pode significar sobrecarga, já que acumulam obrigações profissionais e domésticas.