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441 mil domicílios alagoanos despejam esgoto em fossas rudimentares, valas ou diretamente em lagos, rios ou no mar

Enquanto Alagoas piora acesso a esgotamento sanitário, Brasil e Nordeste ampliam a cobertura

Matheus 70 - Comunicação/IBGE 17/04/2026
441 mil domicílios alagoanos despejam esgoto em fossas rudimentares, valas ou diretamente em lagos, rios ou no mar
IBGE - Foto: Reprodução

Alagoas registrou queda no acesso a formas adequadas de esgotamento sanitário nos últimos anos, em sentido oposto ao observado no Brasil e no Nordeste. Em 2025, apenas 37,2% dos domicílios contavam com rede geral ou fossa séptica ligada à rede, mantendo o estado entre os seis piores do país nesse indicador.

Após atingir 44,0% em 2023, o acesso ao esgotamento adequado caiu para 41,9% em 2024 e voltou a recuar em 2025, chegando a 37,2%.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), no módulo Características Gerais dos Domicílios e Moradores, divulgados hoje (17) pelo IBGE.

Segundo o pesquisador do IBGE responsável pela análise, William Araújo Kratochwill, a queda desse indicador em Alagoas não foi estatisticamente significativa, no entanto, acena para uma redução marginal, que pode estar associada ao crescimento do número de domicílios no estado, sobretudo em áreas ainda sem cobertura de rede de esgoto.

“Nesse cenário, a expansão habitacional ocorre em ritmo mais acelerado que a estrutura, o que contribui para a redução do indicador”, observa William Araújo Kratochwill.

Brasil e Nordeste seguem em trajetória de melhora


Enquanto Alagoas apresenta queda, o Brasil e o Nordeste seguem avançando no acesso ao esgotamento adequado.

No país, o percentual passou de cerca de 69,7% em 2023 para 71,4% em 2025. Já no Nordeste, o indicador subiu de aproximadamente 50,4% para 52,4%no mesmo período.

O contraste evidencia que o estado alagoano não apenas está abaixo das médias, como também evolui em sentido oposto ao restante do país.

Formas precárias predominam no estado


A maior parte dos domicílios em Alagoas ainda utiliza soluções inadequadas de esgotamento. Em 2025, 38,9% – 441 mil domicílios – adotavam “outro tipo” de escoadouro, que inclui fossa rudimentar, vala, rio, lago ou mar, além de outras formas precárias.

Somadas às fossas não ligadas à rede (23,9%), essas alternativas representam a maioria das formas de esgotamento no estado, evidenciando a baixa cobertura de infraestrutura adequada.
Maceió também registra queda recente no acesso adequado

Na capital, o acesso ao esgotamento sanitário adequado também apresentou queda recente. Após atingir 61,0% em 2023, o percentual caiu para 56,3% em 2024 e voltou a recuar em 2025, chegando a 48,1% dos domicílios com acesso à rede geral ou fossa séptica ligada à rede.

Ao mesmo tempo, cresceu o uso de soluções inadequadas, como a fossa não ligada à rede (30,9%) e outras formas precárias de escoadouro, como vala, rio ou mar (21,0%), que juntas já representam mais da metade dos domicílios na capital.

Destino do lixo: Alagoas tem terceiro maior avanço do país


Outro destaque que a pesquisa traz é o destino do lixo. Na comparação com 2016, início da série histórica, Alagoas ampliou de forma significativa a coleta direta por serviço de limpeza, com crescimento de 16,9 pontos percentuais, passando de 66,5% para 83,4% dos domicílios em 2025.

O desempenho coloca o estado como o terceiro maior avanço do país no período, atrás apenas de Sergipe (22,3 p.p.) e Maranhão (19,1 p.p.). Apesar da evolução expressiva, Alagoas permanece abaixo da média nacional, que alcançou 86,9%.

Os dados também mostram melhora na cobertura tanto em áreas urbanas quanto rurais, com destaque para o interior, onde historicamente o acesso é mais limitado. Ainda assim, práticas inadequadas persistem: a queima do lixo na propriedade, embora em queda, segue relevante, especialmente fora dos centros urbanos.

Em Alagoas, a queima do lixo na propriedade caiu de 13,8% dos domicílios em 2016 para 9,5% em 2025. O problema, porém, segue concentrado nas áreas rurais, onde 47,1% dos domicílios ainda adotam essa prática, contra apenas 0,6% nas áreas urbanas, evidenciando forte desigualdade no acesso à coleta.

Maceió tem quase universalização da coleta


Na capital, o cenário é mais favorável. Em 2025, 93,8% dos domicílios de Maceió contavam com coleta direta por serviço de limpeza, percentual acima da média nacional (86,9%).
Além disso, as formas inadequadas de destinação são praticamente residuais: a queima do lixo na propriedade atinge apenas 0,4% dos domicílios, enquanto outros destinos somam 0,7%.
Os dados indicam um nível próximo da universalização do serviço na capital, contrastando com a realidade do interior do estado, onde o acesso à coleta ainda é mais limitado.

Mais sobre a pesquisa


A PNAD Contínua: Características Gerais dos Domicílios e Moradores reúne informações sobre tipo e condição de ocupação, material predominante das paredes, piso e telhado, serviços de saneamento básico e energia elétrica e posse de bens, dados referentes à caracterização dos domicílios.
Já a caracterização dos moradores apresenta informações sobre distribuição da população, sexo e grupos de idade, cor ou raça e unidades domésticas (arranjos domiciliares).