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Big techs têm tecnologia para combater fake news nas eleições, mas falta interesse

Especialistas apontam que grandes empresas possuem recursos para frear desinformação, mas modelo de negócio prioriza engajamento emocional.

Sputinik Brasil 16/04/2026
Big techs têm tecnologia para combater fake news nas eleições, mas falta interesse
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil afirmam que as big techs dispõem de tecnologia suficiente para combater o fenômeno dos deepfakes e das notícias falsas nas redes sociais durante as eleições. Contudo, segundo eles, falta interesse das grandes corporações, já que seu modelo econômico é impulsionado por sentimentos como raiva e medo, frequentemente estimulados por esse tipo de conteúdo.

Caio Almendra, cofundador do Instituto Brasileiro de Ciência de Dados (Bi0s), explica que existem soluções simples para verificar a identidade antes da publicação de vídeos, o que poderia evitar edições tendenciosas capazes de prejudicar a imagem de candidatos. No entanto, Almendra acredita que esse não é o modelo de negócio adotado por essas empresas.

Segundo o especialista, há um desafio comercial para as big techs, especialmente na era da inteligência artificial (IA). Apesar de revolucionária, a IA ainda não é lucrativa devido aos altos custos de desenvolvimento e operação, incluindo data centers que demandam grande quantidade de energia.

O cientista político Rodrigo Prando destaca que o principal ponto em debate sobre as redes sociais nas eleições é descobrir se existe, de fato, interesse das plataformas em evitar manipulações. "As big techs monetizam e lucram com todo conteúdo que tem forte apelo emocional. Sentimentos como raiva, medo, angústia, desilusão e ódio, especialmente manipulados por inteligência artificial em fotos ou vídeos, acabam gerando mais engajamento. A lógica dos algoritmos garante altos lucros para essas empresas", explica Prando.

Para ele, órgãos reguladores dificilmente conseguem acompanhar o ritmo acelerado das empresas no desenvolvimento de novas tecnologias. Nesse cenário de ação e reação, cabe ao eleitor um papel fundamental para evitar cair em fake news.