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Operação "Última Fatia" desarticula esquema de tráfico que usava delivery de pizza como fachada em Maceió

Ação integrada entre forças federais e estaduais cumpriu mandados em condomínios de luxo e estabelecimentos comerciais; duas pessoas foram presas em flagrante

18/03/2026
Operação 'Última Fatia' desarticula esquema de tráfico que usava delivery de pizza como fachada em Maceió
- Foto: Ascom PF AL

A rotina de entregas em condomínios residenciais da capital alagoana escondia, na verdade, uma sofisticada engrenagem do crime organizado. Na manhã desta quarta-feira (18), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Alagoas (FICCO/AL) deflagrou a Operação Última Fatia, com o objetivo de derrubar uma estrutura especializada no tráfico de entorpecentes que utilizava o setor de alimentação para camuflar atividades ilícitas.

A ofensiva é parte da mobilização nacional "Operação Força Integrada I", que ocorre simultaneamente em 15 estados brasileiros. Em Alagoas, as diligências se concentraram na região metropolitana de Maceió, onde foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Estadual, além da quebra de sigilos telemáticos dos investigados.

Drogas na mochila térmica

As investigações revelaram um modus operandi audacioso: o grupo utilizava uma pizzaria de fachada para gerenciar o estoque e a distribuição das substâncias. Através de um esquema de "delivery", motociclistas circulavam livremente por residenciais de acesso restrito, transportando drogas dentro de mochilas térmicas de entrega, sem levantar suspeitas.

O nome da operação, Última Fatia, é uma alusão direta à interrupção definitiva da logística financeira e de distribuição desta célula criminosa, que lucrava com a facilidade de acesso aos condomínios da capital.

Apoio tático e cães farejadores

Devido ao alto grau de periculosidade dos alvos — que contavam com um braço armado para garantir a segurança dos pontos de venda — a operação mobilizou unidades de elite:

Polícia Federal: Grupo de Pronta Intervenção (GPI);

Polícia Militar: Batalhão de Polícia de Choque (BPCHOQUE) e Canil;

Polícia Penal: Suporte tático e operacional.

O uso de cães farejadores foi determinante para localizar entorpecentes em áreas de difícil acesso e no próprio estabelecimento comercial investigado. Até o momento, a FICCO confirmou a prisão em flagrante de duas pessoas e a apreensão de dispositivos eletrônicos e substâncias entorpecentes.

"A integração entre as forças federais e estaduais é a estratégia central para garantir a segurança da sociedade e desarticular facções que atentam contra a ordem pública", destacou a FICCO/AL em nota oficial.

Penas severas

Os envolvidos no esquema devem responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa. Somadas, as penas para esses delitos podem ultrapassar os 25 anos de reclusão. O material apreendido agora passará por perícia para identificar outros integrantes da rede e ramificações do grupo em outros estados.

Cinara Ramos Corrêa

Cinara Ramos Corrêa

É natural de Porto Alegre (RS). Formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre; Editora chefe do Portal Tribuna do Sertão com passagens pela Revista Veja, jornal Zero Hora, Rádio Gaúcha (Grupo RBS), Gazeta Mercantil, TV Pajuçara e O Jornal.