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Consórcios movimentaram R$ 467 bilhões até outubro de 2025 e ganham espaço no planejamento empresarial

Com 4,34 milhões de cotas vendidas setor cresce 31,9% e amplia uso empresarial do consórcio

Carolina Lara 17/03/2026
Consórcios movimentaram R$ 467 bilhões até outubro de 2025 e ganham espaço no planejamento empresarial
Consórcios movimentaram R$ 467 bilhões até outubro de 2025 e ganham espaço no planejamento empresarial

O mercado de consórcios no Brasil alcançou novo recorde em 2025. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios indicam que, entre janeiro e outubro, foram comercializadas 4,34 milhões de cotas, alta de 15,7% em relação ao mesmo período de 2024. O volume de créditos comercializados no período somou R$ 467 bilhões, crescimento de 31,9%, enquanto o número de participantes ativos ultrapassou 12,7 milhões, com avanço superior a 10% na comparação anual.

Leonardo Baldez Augusto, economista e CEO do Grupo ISF Soluções Financeiras, fintech especializada em crédito, consórcio e meios de pagamento, afirma que o desempenho ocorre em um ambiente de juros elevados e maior restrição ao crédito bancário. “Sem juros, o consórcio permite planejamento e previsibilidade. Empresas conseguem estruturar aquisições sem pressionar margens financeiras”, diz.

Segundo dados da própria companhia, o volume de cotas comercializadas pelo grupo saltou de R$ 100 milhões em 2019 para R$ 1,9 bilhão ao final de 2025. A meta para 2026 é atingir R$ 2,4 bilhões em vendas.

Para Leonardo, o avanço reflete uma mudança de mentalidade no mercado. “O consórcio deixou de ser alternativa secundária e passou a integrar o planejamento patrimonial de famílias e empresas. Ele exige estratégia, mas fortalece a disciplina financeira”, declara.

Empresas ampliam uso estratégico do consórcio

A adesão empresarial tem crescido especialmente para aquisição de frotas, imóveis corporativos e maquinário industrial. A lógica envolve diluição do investimento ao longo do tempo, preservação de capital de giro e menor exposição às oscilações de taxa de juros.

O CEO ressalta que o modelo não é indicado para urgências. “Consórcio é planejamento. Quem precisa do ativo imediatamente deve avaliar outras alternativas. Para expansão estruturada, ele funciona muito bem”, aponta.

O especialista mostra cinco cuidados para contratar consórcio empresarial sem comprometer o caixa

Antes de aderir ao consórcio empresarial, especialistas recomendam análise técnica e alinhamento ao planejamento financeiro. Leonardo Baldez destaca cinco pontos centrais.

  • Definir o objetivo do investimento
    O primeiro passo é ter clareza sobre o ativo que será adquirido e sua função estratégica. “O consórcio precisa estar ligado a um projeto concreto de crescimento, não a uma decisão impulsiva”, afirma.

  • Avaliar fluxo de caixa e capacidade de pagamento
    Mesmo sem juros, há parcelas mensais e taxa de administração. “A empresa precisa garantir previsibilidade de caixa para não comprometer a operação”, diz.
  • Escolher administradora autorizada
    A administradora deve ser fiscalizada pelo Banco Central e apresentar transparência nas regras, prazos e taxas. A segurança jurídica é fator determinante.
  • Entender as regras de contemplação
    É fundamental compreender como funcionam sorteios e lances, além do prazo médio estimado. “Criar expectativa de contemplação imediata pode gerar frustração”, afirma.
  • Integrar o consórcio ao planejamento estratégico
    O instrumento deve estar conectado ao cronograma de investimentos da empresa. “Quando o consórcio faz parte de um plano maior, ele fortalece a governança financeira e reduz dependência de crédito bancário”, conclui.

Com recordes sucessivos e crescimento acima de dois dígitos, o sistema de consórcios consolida-se como ferramenta relevante no planejamento empresarial brasileiro, especialmente em ciclos de juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito.