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China pressiona EUA com restrições ao dólar e Europa busca alternativas financeiras

Movimentos recentes de Pequim para limitar exposição aos títulos do Tesouro americano e a busca da Europa por sistemas próprios de pagamento desafiam a hegemonia financeira dos EUA.

Sputinik Brasil 14/02/2026
China pressiona EUA com restrições ao dólar e Europa busca alternativas financeiras
China limita exposição ao dólar e Europa busca alternativas ao sistema financeiro dos EUA. - Foto: © AP Photo / Mark Lennihan

Reguladores chineses recomendaram que instituições financeiras do país limitem suas participações em títulos do Tesouro americano. Paralelamente, a Europa intensifica o debate sobre a necessidade urgente de reduzir a dependência de sistemas de pagamento dos EUA, como Visa e Mastercard, e de desenvolver alternativas próprias.

Será este o início de uma crise?

De acordo com a Bloomberg, fontes próximas ao tema afirmam que a orientação dos reguladores chineses está fundamentada em preocupações com a concentração e a volatilidade do mercado.

Segundo a reportagem, autoridades solicitaram aos bancos que limitem novas compras de títulos do Tesouro americano e instruíram instituições com alta exposição a diminuir suas posições. Contudo, essa diretriz não atinge as participações diretas do governo chinês nesses papéis.

Nesse cenário, conforme destaca a The Economist, o dólar enfrenta uma expressiva desvalorização frente a outras moedas globais, refletindo também a queda de sua participação nas reservas internacionais dos bancos centrais. Nas últimas duas décadas, a hegemonia do dólar como moeda de reserva internacional vem se enfraquecendo, aumentando as incertezas sobre seu futuro no sistema financeiro global.

"Quando a China pressiona os bancos a reduzirem sua exposição a títulos do Tesouro americano, o que ocorre imediatamente é um movimento de desinvestimento por parte de diversas instituições e agentes financeiros, que tende a se intensificar com o tempo", analisa Walter Formento, diretor do Centro de Pesquisa em Política e Economia (CIEPE).

"Isso provoca uma perda imediata no valor dos títulos americanos, transformando o que antes eram investimentos destinados a financiar o governo dos EUA em dívida que o Tesouro precisa começar a pagar. Os títulos vendidos geram demanda por pagamentos, acelerando a instabilidade do dólar", explica Formento.

O especialista ressalta que "essa dinâmica afeta diretamente o governo dos EUA, pois todos os detentores de títulos, mesmo os menores, tendem a vender suas posições quando percebem que os grandes players estão fazendo o mesmo, sinalizando uma possível crise e impactando ainda mais o governo americano".

No contexto europeu, a necessidade de reduzir a dependência de sistemas de pagamento dos EUA é considerada urgente por Martina Weimart, CEO da European Payments Initiative (EPI). Ela defende a criação de alternativas transfronteiriças próprias.

"Se dizemos que a independência é tão crucial e todos sabemos que é uma questão de tempo... precisamos agir com urgência", declarou Weimart ao Financial Times, destacando a forte dependência de soluções estrangeiras. Apesar de existirem bons sistemas nacionais de cartões de pagamento, ainda não há alternativas transfronteiriças equivalentes, segundo ela.

Para Formento, esse movimento "mina as posições dominantes da Visa e da Mastercard, gerando uma crise completa".

"Isso só agrava a situação, intensificando a corrida ao dólar e aos métodos de pagamento americanos. O que vemos é um choque de interesses na esfera econômica entre atores globalistas, que influenciam a política econômica da União Europeia, e atores econômicos e financeiros ligados ao presidente dos EUA, Donald Trump."

Segundo o analista, trata-se de um "conflito entre União Europeia e Estados Unidos no campo econômico, monetário e dos meios de pagamento, representando uma colisão entre interesses financeiros globalistas e continentais que Trump representa".